A pré-campanha em Campo Maior entrou na mira do MP eleitoral

A política de Campo Maior ganhou um novo capítulo. E não é um capítulo qualquer.

O Ministério Público Eleitoral decidiu que os indícios apresentados são relevantes o suficiente para transformar a notícia de fato em Procedimento Preparatório Eleitoral (PPE). Em outras palavras: a fase de simples análise foi superada e começa uma investigação formal para verificar se houve abuso de poder político, propaganda eleitoral antecipada e uso da máquina pública.
O alvo principal da apuração é o prefeito João Félix e seu filho, Dogival Vidal dos Reis Neto, apontado como pretenso pré-candidato a deputado estadual.

Foto: Reprodução

NÃO É APENAS O SHOW

Quem acha que a investigação se resume ao show do cantor Nattan está olhando apenas a superfície.
A própria portaria deixa claro que o Ministério Público pretende examinar vídeos, vistoriar material de propaganda, requisitar processos completos de contratação, empenhos e pagamentos dos festejos de 2026, além de buscar ações semelhantes eventualmente já propostas contra a gestão.
Ou seja, a investigação pretende reconstruir todo o contexto do evento.

O PESO DA EXPRESSÃO “ABUSO DE PODER POLÍTICO”

Há um detalhe que merece atenção.
O procurador regional eleitoral registra expressamente que os elementos colhidos indicam suposta prática de abuso de poder político, propaganda antecipada e conduta vedada.
Naturalmente, isso não representa condenação nem antecipação de culpa. Os investigados terão prazo para apresentar manifestação e exercer plenamente o contraditório.

Mas demonstra que, na visão inicial do Ministério Público, os fatos ultrapassaram o campo das meras especulações políticas.

2026 JÁ COMEÇOU

A principal mensagem institucional talvez seja outra.

O Ministério Público Eleitoral deixa evidente que o período eleitoral começou muito antes da abertura oficial da campanha.

Grandes eventos financiados com recursos públicos, principalmente quando envolvem figuras que disputarão eleições, passaram a ser analisados sob uma ótica muito mais rigorosa.

O recado 

O recado vale para Campo Maior e para qualquer município do Piauí: festa popular pode ser política pública; o que não pode é se transformar em plataforma de promoção eleitoral custeada pelo contribuinte.
Agora, a palavra passa a ser da investigação. E, ao final, da Justiça Eleitoral. Enquanto isso, permanece preservada a presunção de inocência dos investigados até eventual decisão em sentido contrário.

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