Encontros promovidos pelo Consulado dos Estados Unidos em São Paulo com influenciadores críticos ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) passaram a ser interpretados por integrantes do Palácio do Planalto como um novo episódio de interferência política no cenário brasileiro, em meio ao aumento das tensões diplomáticas entre os dois países.
Segundo interlocutores do governo federal, as reuniões organizadas pela representação diplomática norte-americana reforçam a percepção de que integrantes da gestão do presidente Donald Trump buscam ampliar a influência sobre o debate político no Brasil. A avaliação ocorre em um contexto de atritos entre Brasília e Washington envolvendo temas ligados ao processo eleitoral e à liberdade de expressão.
Os encontros têm reunido, em grupos restritos, influenciadores identificados com a direita e opositores do governo Lula para discutir assuntos relacionados ao ambiente digital e à liberdade de expressão.
Entre os participantes está a apresentadora Maria Fernanda Schmidt, do canal Brasil Paralelo. Em publicação nas redes sociais, ela afirmou que participou de uma reunião com diplomatas norte-americanos, classificando o encontro como uma oportunidade para debater os desafios enfrentados por influenciadores e produtores de conteúdo nas plataformas digitais.
Outros nomes ligados ao campo conservador também teriam sido convidados para as conversas, conforme informações divulgadas por veículos de imprensa e citadas pelo jornalista Leandro Demori. Entre eles estão Leandro Narloch, Rafael Ferri e Penélope Nova.
Nos bastidores do governo, os encontros são interpretados como parte de uma sequência de iniciativas atribuídas à administração norte-americana envolvendo a política brasileira. A avaliação ganhou força após a divulgação de que representantes do Departamento de Estado dos Estados Unidos buscaram interlocução com parlamentares do PL para discutir temas relacionados ao processo eleitoral brasileiro.
O episódio se soma a recentes manifestações do governo norte-americano sobre a situação política no Brasil. Nesta quarta-feira (29), a administração Trump voltou a citar o país em documento que prorroga por mais um ano medidas adotadas com base na Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA). No texto, o governo dos Estados Unidos afirma que autoridades brasileiras promovem perseguição política contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, seus familiares e apoiadores.
O governo brasileiro tem rebatido as declarações e sustenta que questões relacionadas ao sistema eleitoral e aos processos conduzidos pelo Judiciário são assuntos internos, protegidos pela soberania nacional. Até o momento, o Consulado dos Estados Unidos não se manifestou oficialmente sobre as críticas feitas por integrantes do Palácio do Planalto.