Planalto vê interferência dos EUA após reuniões com influenciadores

Reuniões em São Paulo ampliam tensão diplomática entre Brasil e Estados Unidos

Encontros promovidos pelo Consulado dos Estados Unidos em São Paulo com influenciadores críticos ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) passaram a ser interpretados por integrantes do Palácio do Planalto como um novo episódio de interferência política no cenário brasileiro, em meio ao aumento das tensões diplomáticas entre os dois países.

Foto: Roberto Schmidt/ AFP
Encontros entre consulado dos EUA e influenciadores ampliam tensão diplomática com o Brasil.

Segundo interlocutores do governo federal, as reuniões organizadas pela representação diplomática norte-americana reforçam a percepção de que integrantes da gestão do presidente Donald Trump buscam ampliar a influência sobre o debate político no Brasil. A avaliação ocorre em um contexto de atritos entre Brasília e Washington envolvendo temas ligados ao processo eleitoral e à liberdade de expressão.

Os encontros têm reunido, em grupos restritos, influenciadores identificados com a direita e opositores do governo Lula para discutir assuntos relacionados ao ambiente digital e à liberdade de expressão.

Entre os participantes está a apresentadora Maria Fernanda Schmidt, do canal Brasil Paralelo. Em publicação nas redes sociais, ela afirmou que participou de uma reunião com diplomatas norte-americanos, classificando o encontro como uma oportunidade para debater os desafios enfrentados por influenciadores e produtores de conteúdo nas plataformas digitais.

Outros nomes ligados ao campo conservador também teriam sido convidados para as conversas, conforme informações divulgadas por veículos de imprensa e citadas pelo jornalista Leandro Demori. Entre eles estão Leandro Narloch, Rafael Ferri e Penélope Nova.

Nos bastidores do governo, os encontros são interpretados como parte de uma sequência de iniciativas atribuídas à administração norte-americana envolvendo a política brasileira. A avaliação ganhou força após a divulgação de que representantes do Departamento de Estado dos Estados Unidos buscaram interlocução com parlamentares do PL para discutir temas relacionados ao processo eleitoral brasileiro.

O episódio se soma a recentes manifestações do governo norte-americano sobre a situação política no Brasil. Nesta quarta-feira (29), a administração Trump voltou a citar o país em documento que prorroga por mais um ano medidas adotadas com base na Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA). No texto, o governo dos Estados Unidos afirma que autoridades brasileiras promovem perseguição política contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, seus familiares e apoiadores.

O governo brasileiro tem rebatido as declarações e sustenta que questões relacionadas ao sistema eleitoral e aos processos conduzidos pelo Judiciário são assuntos internos, protegidos pela soberania nacional. Até o momento, o Consulado dos Estados Unidos não se manifestou oficialmente sobre as críticas feitas por integrantes do Palácio do Planalto.

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