O Hamas anunciou nesta sexta-feira (31) que aceitou a proposta apresentada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para encerrar a guerra na Faixa de Gaza. O plano prevê o desarmamento gradual do grupo, a retirada das tropas israelenses e a criação de uma administração palestina formada por técnicos, sob supervisão internacional.
Segundo Trump, o entendimento foi mediado pelo Conselho de Paz, iniciativa internacional que reúne 27 países. Em publicação nas redes sociais, o presidente norte-americano afirmou que o acordo representa um passo importante para o fim do conflito e para a estabilidade da região.
De acordo com a proposta, o desarmamento do Hamas e de outros grupos armados ocorreria de forma gradual. À medida que esse processo avançasse, as tropas israelenses deixariam a Faixa de Gaza, enquanto uma força internacional de estabilização atuaria ao lado de uma nova polícia palestina para garantir a segurança no território.
Apesar do anúncio, o governo de Israel ainda não confirmou oficialmente a adesão ao plano. Segundo uma fonte ouvida pela agência AFP, a proposta não atende plenamente às exigências israelenses para a desmilitarização total de Gaza. A mesma fonte afirmou que o tema não foi tratado durante o encontro realizado nesta semana entre Trump e o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, em Washington.
O desarmamento do Hamas permanece como um dos principais impasses nas negociações relacionadas ao cessar-fogo em vigor desde outubro. O plano prevê a entrega das armas da organização, a destruição da rede de túneis construída pelo grupo, a retirada das tropas israelenses, a instalação de um governo palestino tecnocrático, o envio de uma força internacional de segurança e a reconstrução da Faixa de Gaza.
Segundo representantes do Hamas, as armas seriam entregues ao Comitê Nacional para a Administração de Gaza, órgão de transição composto por técnicos palestinos e supervisionado pelo Conselho de Paz. Caberia a esse comitê catalogar, armazenar e controlar os armamentos, sem participação direta de Israel.
Integrante da equipe de negociação do Hamas, Ghazi Hamad afirmou que o grupo aceitou fazer concessões para reduzir o sofrimento da população palestina e reiterou que o controle das armas ficará sob responsabilidade da administração de transição.
O Conselho de Paz informou que o Hamas aceitou um cronograma detalhado para as próximas etapas do cessar-fogo e destacou que o foco passa a ser a implementação das medidas previstas.
Segundo o representante do colegiado para Gaza, Nickolay Mladenov, o entendimento é resultado de meses de negociações. Ele ressaltou que a retirada das tropas israelenses deverá ocorrer paralelamente ao processo de desmantelamento das armas.
Pelo cronograma apresentado, a força policial de Gaza deverá transferir seus armamentos para a nova administração nas próximas duas semanas. A entrega do arsenal pesado do Hamas e a desativação da infraestrutura militar, incluindo túneis, ocorrerão em uma etapa posterior, que poderá se estender por um período entre 200 e 350 dias.
Neste mês, o Hamas já havia anunciado a dissolução de seu governo na Faixa de Gaza e informado que preparava a transferência da administração do território para um comitê técnico apoiado pela Organização das Nações Unidas (ONU), como parte das negociações relacionadas ao cessar-fogo.
O conflito teve início em 7 de outubro de 2023, após o ataque liderado pelo Hamas contra o sul de Israel, que deixou cerca de 1,2 mil mortos e resultou no sequestro de 251 pessoas. Em resposta, Israel iniciou uma ofensiva militar na Faixa de Gaza que, segundo o Ministério da Saúde do território palestino, já provocou mais de 73 mil mortes. Grande parte da população permanece deslocada em áreas devastadas pela guerra.