A empresa de tecnologia 3Structure IT LTDA, citada na investigação da Polícia Federal que apura suposto tráfico de influência envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, mantém contratos que somam R$ 55,7 milhões com o governo federal desde 2023. A defesa do filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nega qualquer irregularidade e afirma que o inquérito carece de fundamentos.
A Polícia Federal investiga a suposta atuação de Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, em favor da empresa de tecnologia 3Structure IT LTDA junto a órgãos do governo federal. O caso tramita no Supremo Tribunal Federal (STF) e apura possíveis crimes de tráfico de influência relacionados à contratação de serviços de tecnologia da informação.
Segundo dados do Portal da Transparência, a empresa possui quatro contratos em vigor com a administração federal, que somam R$ 55.721.051,62. Os acordos foram firmados com os ministérios do Desenvolvimento e Assistência Social, da Educação e da Defesa, com vigência que se estende até 2031.
Entre os contratos de maior valor está um acordo de R$ 21,8 milhões firmado com o Ministério da Educação para fornecimento de soluções de tecnologia voltadas à infraestrutura de armazenamento de dados. Outro contrato, de R$ 19,2 milhões, foi celebrado com o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social para implantação de uma nova solução de backup e suporte técnico.
Também constam um contrato de R$ 14,4 milhões para sustentação do ambiente analítico de dados do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social e outro, de cerca de R$ 177 mil, firmado com o Ministério da Defesa para serviços na área de tecnologia da informação.
Levantamento com base em registros de execução orçamentária aponta ainda que a empresa recebeu R$ 46,9 milhões em pagamentos do governo federal desde 2023. O montante inclui despesas liquidadas e pagas, que não necessariamente correspondem ao valor total dos contratos firmados.
A investigação foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do STF, após pedido da Polícia Federal. Os investigadores apuram se Lulinha teria utilizado sua influência política para favorecer empresas parceiras em contratos públicos, hipótese que é negada pela defesa.
O advogado Marco Aurélio Carvalho afirmou que o inquérito representa uma "fishing expedition" — expressão utilizada para definir uma investigação baseada na busca genérica por provas — e classificou o procedimento como uma tentativa de interferência política. Segundo ele, não há fatos concretos que justifiquem a apuração.
A 3Structure IT LTDA foi procurada para comentar o caso, mas não havia se manifestado até a publicação da reportagem.