O presidente Luiz Inácio Lula da Silva enfrenta uma nova frente de desgaste político após declarações em defesa de Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, ex-chefe de gabinete da Presidência. Segundo relatos de aliados, o presidente minimizou o episódio envolvendo empréstimos recebidos por seu antigo auxiliar de uma empresária citada em investigações relacionadas a fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), o que provocou incômodo entre integrantes do governo.
Nos bastidores, o principal questionamento não está na existência dos empréstimos, admitidos por Marcola, mas no momento em que Lula tomou conhecimento da relação entre seu ex-assessor e pessoas mencionadas nas investigações conduzidas pela Polícia Federal. Há versões divergentes dentro do próprio governo: uma sustenta que o presidente foi informado poucos dias antes de o caso se tornar público, enquanto outra afirma que Lula já conhecia a situação antes de transferir Marcola para a coordenação de sua campanha à reeleição.
Durante reunião com partidos da base aliada, Lula defendeu o ex-chefe de gabinete ao comparar a situação a empréstimos feitos entre amigos. A avaliação de auxiliares, porém, é de que o presidente subestimou o impacto político da declaração, especialmente porque o episódio ocorre em meio ao avanço de investigações que também alcançam pessoas próximas ao governo. O caso ganhou maior repercussão após reportagens apontarem a ligação entre Marcola e a empresária Roberta Luchsinger, investigada pela Polícia Federal.
Marcola deixou recentemente a chefia de gabinete da Presidência para integrar a equipe da campanha de reeleição de Lula. Oficialmente, a mudança foi tratada como uma decisão administrativa, mas aliados passaram a interpretá-la como uma tentativa de reduzir os efeitos da crise sobre o Palácio do Planalto. O ex-assessor afirma que os recursos recebidos correspondiam a um empréstimo pessoal já quitado e nega qualquer irregularidade ou uso da função pública para beneficiar terceiros.