Planalto adia aval a embaixador dos EUA após revogação de visto de diplomata

Governo vê medida contra Maria Luiza Viotti como pressão política e aguarda novos desdobramentos

O Palácio do Planalto decidiu adiar a concessão do agrément ao deputado norte-americano Daniel Perez, indicado para a Embaixada dos Estados Unidos no Brasil, após a revogação do visto da embaixadora brasileira em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti. Nos bastidores, integrantes do governo interpretam a medida como um novo gesto de pressão dos Estados Unidos em meio ao cenário eleitoral brasileiro.

Foto: ZUMA Press Wire via Reuters Conn
Governo brasileiro mantém embaixadora nos EUA em meio ao agravamento da crise diplomática.

Segundo auxiliares do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o governo não pretende aprovar nenhum agrément antes das eleições de outubro. A autorização é necessária para que um embaixador indicado por outro país possa assumir oficialmente o posto diplomático.

A decisão ganhou força após o Departamento de Estado dos Estados Unidos revogar, na última segunda-feira (3), o visto de Maria Luiza Viotti. Na ocasião, o governo norte-americano também criticou o fato de o Brasil ainda não ter aprovado a indicação de Daniel Perez para a embaixada em Brasília.

Integrantes do governo afirmam que a análise técnica sobre a indicação do parlamentar poderia resultar em parecer favorável, mas avaliam que o episódio ampliou o peso político da decisão. Também há críticas ao fato de Washington ter indicado Perez sem consulta prévia ao Itamaraty, procedimento considerado prática comum nas relações diplomáticas.

Outro ponto levantado por interlocutores do Planalto é o momento da indicação. Na avaliação de integrantes do governo, a decisão da Casa Branca ocorreu às vésperas das eleições brasileiras, após um período em que o presidente Donald Trump optou por não indicar representante diplomático para o Brasil.

Apesar da tensão, o governo brasileiro não pretende retirar Maria Luiza Viotti dos Estados Unidos. A avaliação é de que a medida adotada pelo Departamento de Estado tem caráter simbólico, uma vez que a diplomata pode permanecer em território norte-americano enquanto não deixar o país. Caso viaje para o exterior, porém, não poderá retornar com o visto revogado.

Nos bastidores, o Planalto considera a decisão norte-americana grave, mas adota cautela diante da crise diplomática. O governo acompanha a possibilidade de novas medidas por parte dos Estados Unidos e estuda eventuais respostas baseadas no princípio da reciprocidade, embora avalie como menos provável a adoção de novas sanções comerciais ou financeiras contra o Brasil.

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