Mendonça e PF mantêm atrito em investigações de alto impacto

Tentativas de mediação do governo não aproximaram ministro do STF e diretor da PF

As divergências entre o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, continuam sem sinais de acordo. Tentativas de mediação conduzidas pelo advogado-geral da União, Jorge Messias, e pelo ministro da Justiça, Wellington César, não foram suficientes para reduzir os atritos entre os dois.

Foto: Antonio Augusto/STF e REUTERS/Ueslei Marcelino
André Mendonça e Andrei Rodrigues estão no centro de divergências sobre investigações da PF.

O conflito envolve a condução de investigações de grande repercussão política, entre elas a apuração sobre as fraudes nos descontos do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), os inquéritos relacionados a Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, além dos casos envolvendo o Banco Master e o financiamento do filme "Dark Horse", sobre Jair Bolsonaro.

Segundo interlocutores dos dois lados, Rodrigues não demonstra disposição para ampliar o diálogo com Mendonça. O ministro, por sua vez, também não sinaliza que pretende ceder às reclamações da cúpula da PF sobre supostas interferências na condução das investigações.

Tentativa de mediação

A articulação para reduzir a tensão ganhou força no início de agosto, quando Messias organizou uma reunião entre Mendonça e Wellington César. O encontro ocorreu no dia 6, e o ministro da Justiça se colocou à disposição para atuar como interlocutor entre o magistrado e a Polícia Federal.

Na ocasião, surgiu a possibilidade de uma conversa direta entre Mendonça e Rodrigues. Embora o ministro do STF não tenha apresentado objeção, a reunião ainda não avançou para uma agenda concreta.

A tentativa de aproximação ocorreu após a PF procurar a Advocacia-Geral da União para contestar uma determinação de Mendonça no inquérito que apura as fraudes nos descontos do INSS. A corporação pediu que a AGU buscasse uma medida judicial para questionar a decisão.

Mendonça havia determinado que todos os atos da investigação fossem imediatamente incorporados ao processo sob sua relatoria.

Divergências sobre investigações

O ministro também tem questionado a demora da PF para avançar no inquérito que envolve Lulinha, além da mudança na coordenação da equipe responsável pela apuração.

No início do ano, o STF autorizou a quebra dos sigilos bancário e fiscal do filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ele é citado na investigação como suposto sócio oculto de Antônio Camilo Antunes, conhecido como "Careca do INSS".

O desgaste aumentou depois que a Polícia Federal pediu a abertura de três novos inquéritos contra Lulinha, com suspeitas de tráfico de influência e corrupção relacionadas ao Ministério da Saúde, à Dataprev e a outros órgãos federais.

As apurações nasceram a partir do caso dos descontos do INSS, mas a PF sustenta que os novos procedimentos não têm relação direta com a investigação original.

A iniciativa foi interpretada por uma ala do STF como uma possível tentativa de retirar Mendonça da condução das investigações envolvendo o filho do presidente. O sorteio eletrônico do Supremo, no entanto, destinou ao ministro os inquéritos relacionados ao Ministério da Saúde e à Dataprev.

Outros casos sob relatoria

Além das investigações ligadas ao INSS e dos dois novos inquéritos envolvendo Lulinha, Mendonça também conduz a apuração sobre o Banco Master e o caso que investiga o financiamento de "Dark Horse", produção cinematográfica sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Com diferentes investigações concentradas no gabinete do ministro, a relação entre Mendonça e a cúpula da Polícia Federal permanece marcada por divergências sobre a condução dos procedimentos e sobre os limites de atuação de cada instituição.

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