O presidente Luiz Inácio Lula da Silva avalia indicar o governador do Rio de Janeiro, Ricardo Couto, para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF) antes das eleições de 2026. A possibilidade já é discutida entre integrantes do governo e da campanha à reeleição e combina uma escolha de perfil técnico com interesses políticos no estado.
Couto chegou ao governo fluminense após ocupar a presidência do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. Ele assumiu o cargo porque o governador, o vice-governador e o presidente da Assembleia Legislativa perderam os respectivos postos em meio a suspeitas de corrupção, seguindo a linha sucessória prevista para o Executivo estadual.
Desde então, a administração de Couto tem sido associada a medidas de combate à corrupção e de revisão dos quadros do governo. Entre as ações citadas está a substituição de servidores sob suspeita de ligação com organizações criminosas ou com grupos envolvidos em esquemas ilícitos na política fluminense.
A eventual indicação ao STF também teria uma dimensão política. Na avaliação de aliados de Lula, a escolha de um magistrado com esse perfil permitiria ao presidente adotar uma agenda de enfrentamento à corrupção e, ao mesmo tempo, reduzir sua exposição diante dos desgastes envolvendo integrantes da Suprema Corte.
Outro fator considerado é o peso eleitoral do Rio de Janeiro. O estado é o segundo maior colégio eleitoral do país e deve ter papel relevante na disputa presidencial. Pesquisas internas da campanha petista, segundo o relato, apontam aprovação superior a 80% para Couto entre os fluminenses.
A estratégia seria associar a imagem de Lula à popularidade do governador em um cenário de disputa acirrada. No estado, o presidente enfrenta uma corrida eleitoral marcada pela força do bolsonarismo, enquanto Eduardo Paes (PSD), apoiado pela base de Lula na disputa pelo governo estadual, aparece bem posicionado, mas tem visto o adversário Douglas Ruas (PL) avançar nas pesquisas.
Couto, segundo o relato, tem conhecimento das articulações em torno de seu nome. Antes de entrar no radar para o STF, ele já era considerado para uma vaga no Superior Tribunal de Justiça (STJ).
A eventual escolha, porém, dependeria da abertura de uma vaga e do processo constitucional de indicação e aprovação de um ministro do Supremo. A movimentação ainda é tratada como uma avaliação política, e não como uma decisão formal do presidente.