Um boato envolvendo Nossa Senhora Aparecida e o candidato à Presidência pelo PL, senador Flávio Bolsonaro, gerou 180.857 comentários nas redes sociais em um período de 20 horas, segundo levantamento da Vox Radar, empresa de monitoramento de redes sociais. As menções ao tema alcançaram 139.677 perfis e somaram 902 mil curtidas. O rumor afirmava que Flávio Bolsonaro teria apoiado uma proposta para retirar Nossa Senhora Aparecida da condição de padroeira do Brasil. O senador negou ter apoiado a medida.
De acordo com o levantamento, os primeiros comentários sobre o assunto começaram na noite de quinta-feira (24). Nas cinco horas iniciais, 92% das manifestações que apresentavam uma posição sobre o tema acreditavam no boato. O volume de publicações aumentou na manhã de sexta-feira (25), com pico de 33.643 comentários em uma única hora, às 14h. A origem da informação estava relacionada ao projeto de lei 2.623/2007, apresentado pelo então deputado e pastor da Assembleia de Deus Victorio Galli, que propunha alterar a denominação de Nossa Senhora Aparecida de “Padroeira do Brasil” para “Padroeira dos brasileiros católicos”. O projeto foi arquivado em 2008.
A informação sobre a suposta relação de Flávio Bolsonaro com a proposta foi divulgada pela GloboNews na quinta-feira (24), que posteriormente pediu desculpas pelo erro. Segundo a Vox Radar, dois temas concentraram a maior parte das discussões nas redes: as acusações de que o episódio seria uma “fake news do PT” e a repercussão do erro da emissora, com 46.827 comentários, além de debates sobre fé e voto católico, que reuniram 47.104 manifestações. O projeto de lei de 2007 foi citado diretamente em apenas 4.401 comentários. No conjunto analisado, 36% das manifestações desmentiam ou não acreditavam no boato, enquanto 26% demonstravam acreditar na informação e a reproduziam.
Flávio Bolsonaro negou duas vezes ter apoiado a retirada de Nossa Senhora Aparecida da condição de padroeira do Brasil. Em declaração a jornalistas na sexta-feira, após participar de uma cerimônia do curso de formação de praças da Polícia Militar do Rio de Janeiro, o senador afirmou que a informação era falsa e disse respeitar todas as religiões. A reportagem também informa que uma decisão de Alexandre de Moraes reconheceu como inverídica a alegação de que Flávio Bolsonaro ou sua família teriam proposto, articulado, apoiado ou pretendido promover a retirada de Nossa Senhora Aparecida do título de Padroeira do Brasil.