Irã apresenta plano de sete dias para tentar encerrar conflito com os EUA
Teerã condiciona reabertura do estreito ao fim do bloqueio e à suspensão de sanções.
O Irã apresentou aos Estados Unidos uma proposta de sete dias para tentar interromper o conflito entre os dois países. Pelo plano, Teerã se comprometeria a reabrir o Estreito de Ormuz e retomar as negociações sobre seu programa nuclear caso Washington suspendesse o bloqueio naval, interrompesse as sanções sobre o petróleo iraniano e respeitasse um cessar-fogo que também envolvesse o Líbano.
A proposta foi apresentada pelo ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, durante uma reunião privada realizada na quinta-feira (24), à margem da Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York. As informações foram divulgadas pela agência Associated Press com base em relatos de participantes do encontro.
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Segundo os relatos, a proposta teria sido encaminhada aos Estados Unidos por meio de intermediários. O cronograma prevê que, caso as condições apresentadas por Teerã sejam aceitas, o processo para encerrar o conflito começaria imediatamente.
Araghchi afirmou, segundo os participantes da reunião, que o Estreito de Ormuz seria reaberto ao final do sétimo dia e que as negociações sobre o programa nuclear iraniano seriam retomadas.
O estreito é uma das principais rotas de transporte de petróleo e gás do mundo e conecta o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã. Qualquer interrupção prolongada no tráfego da região pode afetar o fornecimento internacional de energia e pressionar os preços da commodity.
A proposta apresentada por Teerã teria condições semelhantes às previstas em um memorando de entendimento discutido anteriormente entre iranianos e americanos em junho, mas que não avançou. O novo plano surge em meio a contatos diplomáticos realizados paralelamente à Assembleia Geral da ONU.
Após as informações sobre as negociações, os preços do petróleo recuaram nos mercados internacionais. O barril de Brent, referência para diversos mercados, passou a ser negociado próximo de US$ 105.
O governo iraniano, no entanto, ainda não divulgou oficialmente todos os detalhes da proposta. Setores militares de linha dura também não se manifestaram publicamente sobre o conteúdo apresentado por Araghchi.
Na sexta-feira (25), o ministro iraniano se reuniu com o chanceler britânico, Ed Miliband, durante a Assembleia Geral da ONU. No encontro, Araghchi acusou alguns países europeus de adotar uma postura que classificou como "destrutiva e irresponsável" e de apoiar as ações militares dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã.
Em outra reunião, o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, conversou com o primeiro-ministro e ministro das Relações Exteriores do Qatar, Mohammed bin Abdulrahman bin Jassim Al Thani. O Qatar tem atuado como intermediário nas conversas entre Washington e Teerã.
Segundo o Ministério das Relações Exteriores do Qatar, os dois líderes discutiram os acontecimentos recentes no Oriente Médio e os esforços para reduzir as tensões e criar condições para novas negociações.
A movimentação diplomática ocorre em um cenário de pressão econômica e política sobre os envolvidos. O ex-chefe do departamento de investigação dos serviços de inteligência militar de Israel, Danny Citrinowicz, avaliou em uma publicação na rede X que Teerã pode estar identificando uma oportunidade para testar a disposição de Washington em flexibilizar sua posição.
Para Citrinowicz, fatores como a pressão sobre o preço do petróleo e o calendário eleitoral americano podem influenciar o ambiente político nos Estados Unidos. O analista, porém, afirmou que a iniciativa diplomática iraniana não deve ser interpretada, por si só, como uma mudança estrutural na estratégia de Teerã.
Fonte: Euronews