O “já ganhou” de Flávio ainda não chegou às urnas

Pesquisa amplia vantagem, mas segundo turno ainda será disputado

O discurso do “já ganhou” começa a ganhar força entre apoiadores de Flávio Bolsonaro depois de o candidato do PL terminar o primeiro turno à frente de Luiz Inácio Lula da Silva e aparecer novamente na liderança na primeira pesquisa do segundo turno. O ambiente é favorável ao bolsonarismo, mas a eleição de 25 de outubro ainda está em disputa.

Foto: Colagem/AZ
Lula e Flávio Bolsonaro

No primeiro turno, realizado em 4 de outubro, Flávio obteve 56,1 milhões de votos (47,03% dos válidos), contra 53,9 milhões de Lula (45,16%), segundo a totalização do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A diferença foi de 2,23 milhões de votos, ou 1,87 ponto percentual.

A primeira pesquisa após a votação ampliou essa distância. O levantamento PoderData/Aya, divulgado nesta quinta-feira (8), aponta Flávio com 53% dos votos válidos, contra 47% de Lula. Foram ouvidos 3 mil eleitores entre 5 e 7 de outubro, em 705 municípios, com margem de erro de 1,8 ponto percentual. Na pesquisa anterior, os dois apareciam empatados em 50%.

O resultado explica a confiança da direita. 54% dos entrevistados acreditam que Flávio vencerá, enquanto 37% apostam em Lula. A rejeição, entretanto, permanece elevada: 46% dizem não votar em Lula de jeito nenhum e 43% rejeitam Flávio.

Outro dado relevante é a abstenção. Cerca de 33,4 milhões de eleitores não compareceram ao primeiro turno, o equivalente a 21,08% do eleitorado. O número é muito superior à diferença de votos entre os dois candidatos. Os ausentes não podem ser considerados votos disponíveis para qualquer candidatura, mas sua participação no segundo turno poderá alterar a composição do eleitorado efetivamente votante.

O campo político de Flávio também se ampliou. Em 5 de outubro, o ex-presidente Michel Temer declarou apoio ao candidato do PL, movimento que se soma a outras adesões de lideranças da direita e do centro-direita.

Nos bastidores de Brasília, também circulam informações sobre possíveis entendimentos envolvendo o ministro Gilmar Mendes, Temer e o grupo político de Flávio. O assunto ganhou atenção após o encontro de Gilmar com Alfredo Gaspar, candidato a vice na chapa de Flávio, antes do primeiro turno, e o posterior arquivamento de uma investigação envolvendo o deputado. O episódio alimentou especulações políticas, mas a formação de um eventual acordo eleitoral depende de confirmação por evidências ou declarações dos envolvidos.

Historicamente, o cenário favorece Flávio. Desde a redemocratização, nenhum candidato que terminou o primeiro turno em segundo lugar conseguiu ultrapassar o primeiro colocado e vencer uma eleição presidencial no segundo turno. Lula enfrenta, portanto, uma situação inédita em sua trajetória eleitoral.

A comparação com 2022 mostra, porém, que pequenas diferenças podem definir uma eleição. Naquele ano, Lula terminou o primeiro turno à frente de Jair Bolsonaro e venceu o segundo por apenas 1,8 ponto percentual.

O quadro atual é diferente: Flávio lidera a apuração e também aparece à frente na primeira pesquisa do segundo turno. Lula terá de recuperar terreno, enquanto o candidato do PL precisará preservar a vantagem e converter apoios políticos em votos.

A eleição ainda terá 17 dias de campanha. O primeiro turno mostrou que pesquisas podem não reproduzir exatamente o comportamento do eleitor na urna. Por isso, o “já ganhou” pode funcionar como discurso de mobilização, mas não substitui o resultado eleitoral.

Flávio Bolsonaro começa o segundo turno como favorito. A eleição, entretanto, só estará decidida quando os votos de 25 de outubro forem contabilizados.

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