El Niño deve ganhar força e persistir até fevereiro de 2027
OMM prevê temperaturas recordes no Pacífico e impactos sobre chuvas em várias regiões
O El Niño deve se intensificar nos próximos meses e permanecer ativo até fevereiro de 2027, segundo a Organização Meteorológica Mundial (OMM), agência ligada à Organização das Nações Unidas (ONU). Em boletim divulgado nesta quinta-feira (8), a entidade apontou uma probabilidade próxima de 100% de continuidade do fenômeno até fevereiro e indicou que o pico deve ocorrer em dezembro. A OMM também avalia que o atual episódio pode estar entre os mais fortes registrados desde pelo menos 1950.
Um dos principais fatores de preocupação está relacionado às temperaturas da superfície do mar no Pacífico tropical central e oriental, região diretamente associada ao fenômeno. De acordo com a previsão da OMM, as temperaturas podem chegar a 3,7°C acima da média entre outubro e dezembro, superando o recorde anterior de 2,6°C registrado entre novembro de 2015 e janeiro de 2016. A secretária-geral da organização, Celeste Saulo, afirmou que o oceano atualmente apresenta o maior nível de aquecimento já medido, o que significa maior quantidade de calor disponível para alimentar o fenômeno.
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O El Niño corresponde à fase quente do ciclo natural conhecido como El Niño-Oscilação Sul e influencia os padrões de temperatura e chuva em diferentes partes do planeta. O fenômeno costuma elevar as temperaturas médias globais e alterar a distribuição das chuvas, podendo provocar períodos de seca em algumas regiões e precipitações intensas em outras. No Brasil, previsões divulgadas por órgãos nacionais indicam tendência de condições mais secas e temperaturas elevadas em áreas do Norte e Nordeste, enquanto o Sul pode registrar chuvas acima da média e risco de cheias.
A intensificação do fenômeno ocorre em um cenário de temperaturas globais elevadas. Segundo dados do Serviço de Mudanças Climáticas Copernicus, agosto registrou temperatura média global de 16,96°C, empatando com julho de 2023 como o mês mais quente já observado. A combinação entre o aquecimento do Pacífico e as condições climáticas globais aumenta a atenção de pesquisadores e autoridades para possíveis impactos sobre agricultura, abastecimento, saúde e ocorrência de eventos extremos durante os próximos meses.
Fonte: Agência Brasil