O canal de WhatsApp “Exército do Lula”, que reúne mais de 4 milhões de seguidores e é administrado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG), foi retirado do ar no Brasil na manhã desta quarta-feira (14), após determinação do presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques. A suspensão ocorre em meio a uma disputa judicial sobre o funcionamento da ferramenta durante a campanha eleitoral de 2026.
A decisão mais recente condicionou a retomada do canal ao registro de seu endereço eletrônico na Justiça Eleitoral. A campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) cumpriu a exigência, e Nunes Marques autorizou a reativação, mas estabeleceu um prazo de 48 horas para o retorno, conforme as regras do tribunal.
Antes da nova suspensão, o canal publicou uma mensagem relacionando a interrupção das atividades à votação sobre o fim da escala de trabalho 6x1. A publicação questionava a coincidência entre o bloqueio e a discussão do tema.
Disputa entre ministros do TSE
O caso começou após a campanha do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) acusar o canal de divulgar conteúdos falsos de forma coordenada. No domingo (11), Nunes Marques determinou a suspensão da ferramenta. Horas depois, o corregedor-geral eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, derrubou a ordem e permitiu que o canal voltasse a funcionar, argumentando que não havia elementos suficientes para justificar o bloqueio integral.
Na segunda-feira (12), uma análise técnica do TSE apontou que mensagens publicadas entre 25 e 29 de setembro haviam sido apagadas ou editadas, o que dificultou a verificação do conteúdo denunciado. O relatório também informou que as mensagens disponíveis não reproduziam algumas das alegações citadas pela campanha de Flávio Bolsonaro.
Na terça-feira (13), Nunes Marques voltou a determinar a retirada do canal do ar até que a situação fosse regularizada perante a Justiça Eleitoral. Após o registro, autorizou a retomada em 48 horas.
A controvérsia envolve os limites da atuação da Justiça Eleitoral sobre canais de comunicação política e deverá ter novos desdobramentos no TSE.