A rede municipal de saúde de Teresina ampliou a oferta do anticorpo monoclonal nirsevimabe, indicado para prevenir infecções respiratórias graves causadas pelo Vírus Sincicial Respiratório (VSR), principal responsável por quadros de bronquiolite em bebês e crianças pequenas. A estratégia inclui um chamamento a pais de crianças elegíveis para reforçar a proteção antes do período de maior circulação do vírus.
A Fundação Municipal de Saúde (FMS) iniciou nesta semana um trabalho de busca ativa de crianças que se enquadram nos critérios de aplicação do imunobiológico. O público prioritário inclui bebês prematuros — nascidos com até 36 semanas e seis dias de gestação — que tenham menos de seis meses de idade no momento da aplicação, além de crianças com até dois anos que apresentem comorbidades.
A aplicação do anticorpo está disponível no Centro de Referência para Imunobiológicos Especiais (CRIE), localizado no Hospital Infantil Lucídio Portela. Para receber o medicamento, os responsáveis devem apresentar documentos pessoais da criança, cartão de vacinação, prescrição médica e laudo que comprove a indicação clínica.
Bebês prematuros que permanecem internados ou ainda não receberam alta hospitalar continuam recebendo o imunobiológico diretamente nas maternidades municipais do Dirceu, Promorar, Satélite e Buenos Aires, além do Hospital de Urgência de Teresina (HUT), Hospital do Parque Piauí, Hospital Infantil e Maternidade Evangelina Rosa.
Segundo a coordenação de vacinação da FMS, a medida busca ampliar a proteção infantil diante da proximidade do período de maior circulação do VSR, responsável por grande parte das internações respiratórias em crianças pequenas. A estratégia também pretende reduzir a pressão sobre serviços hospitalares e leitos de terapia intensiva pediátrica.
Dados nacionais mostram a dimensão do problema. Em 2025, o Brasil registrou mais de 120 mil casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) associados a vírus respiratórios de relevância em saúde pública. Desse total, cerca de 43,9 mil — ou 36,6% — foram provocados pelo vírus sincicial respiratório. Entre os diagnósticos de VSR, mais de 36 mil hospitalizações ocorreram em crianças menores de dois anos, o equivalente a 82,5% dos registros.
A presidente da Fundação Municipal de Saúde, Leopoldina Cipriano, afirma que a ampliação do acesso ao nirsevimabe representa um avanço na proteção da primeira infância. Diferentemente das vacinas tradicionais, que estimulam o organismo a produzir anticorpos, o medicamento fornece diretamente a defesa pronta contra o vírus.
“Trata-se de uma tecnologia inovadora que fortalece a prevenção de quadros graves e reforça o compromisso do SUS com a proteção da saúde infantil”, afirmou.
Entre as comorbidades consideradas para indicação do imunobiológico estão doenças cardiovasculares, pneumopatias crônicas graves, imunodeficiências, doenças neurológicas crônicas, anomalias das vias aéreas e síndrome de Down.