A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o registro de cinco novos medicamentos injetáveis à base de semaglutida para o tratamento de adultos com diabetes tipo 2. Os produtos, comparáveis ao Ozempic, poderão ser utilizados como complemento à dieta e à prática de exercícios em casos específicos.
As autorizações foram publicadas nesta quarta-feira (29) no Diário Oficial da União e contemplam os medicamentos Owozy, Seemasun, Zempneo, Semavy e Orsema. Segundo a Anvisa, os produtos são indicados para pacientes com diabetes mellitus tipo 2 que não alcançam controle adequado da doença ou que apresentam contraindicação ou intolerância ao uso da metformina.
Embora tenham ganhado popularidade como "canetas emagrecedoras" devido ao efeito de redução do apetite e perda de peso, os medicamentos foram registrados para o tratamento do diabetes tipo 2. A utilização deve ocorrer como complemento às mudanças no estilo de vida, incluindo alimentação equilibrada e prática de atividade física.
Os novos registros foram concedidos com base na comparação com o Ozempic, medicamento biológico já comercializado no país. Todos utilizam a semaglutida sintética, substância que atua como agonista do receptor do GLP-1, hormônio responsável por estimular a produção de insulina, auxiliar no controle da glicemia e aumentar a sensação de saciedade.
De acordo com a agência reguladora, esta é a maior aprovação simultânea de medicamentos dessa classe já realizada no Brasil. O crescimento no número de solicitações está relacionado ao avanço da produção sintética da semaglutida, desenvolvida em laboratório desde 2022. Atualmente, 68% dos pedidos de registro de medicamentos injetáveis voltados ao tratamento da obesidade e do diabetes protocolados na Anvisa envolvem versões sintéticas desse princípio ativo.
A Anvisa também reforçou que sua atuação se limita à análise e ao registro dos medicamentos, sem qualquer participação na comercialização dos produtos. O órgão alertou para golpes na internet que utilizam seu nome para oferecer a venda de canetas emagrecedoras, prática considerada fraudulenta. A recomendação é que casos desse tipo sejam denunciados por meio da plataforma Fala.BR.
Outro alerta divulgado pela agência envolve a Retatrutida, medicamento ainda em fase de pesquisa clínica. Segundo a Anvisa, o produto não possui autorização para uso ou comercialização em nenhum país, e a empresa responsável pelo desenvolvimento sequer solicitou registro junto ao órgão regulador brasileiro.
Apesar disso, a agência afirma que a Retatrutida vem sendo comercializada ilegalmente em sites e redes sociais. Produtos desse tipo já foram apreendidos nas fronteiras brasileiras por entrarem no país de forma irregular. A Anvisa destaca que o consumo de medicamentos sem registro ou de origem desconhecida representa riscos à saúde, pois não há garantia de segurança, eficácia ou qualidade.