Pix pode ser integrado a sistema de pagamentos instantâneos da Europa

Estudos entre BC e Banco Central Europeu estão em fase inicial; piloto é previsto para 2028.

O Banco Central (BC) brasileiro e o Banco Central Europeu (BCE) estudam a possibilidade de integrar o Pix ao TIPS, sistema europeu de pagamentos instantâneos. As conversas ainda estão em fase inicial e envolvem análises jurídicas, técnicas, operacionais e de segurança.

Foto: Marcello Casal jr/Agência Brasil

Segundo documentos do BCE, os estudos estão em uma etapa de pré-investigação, na qual são avaliadas a viabilidade da conexão entre as duas infraestruturas e as condições necessárias para sua implantação. Essa fase deve ser concluída até setembro de 2026.

Uma eventual integração permitiria que brasileiros utilizassem suas contas bancárias no país para realizar pagamentos em estabelecimentos europeus por meio do Pix. Na prática, o consumidor poderia, por exemplo, escanear um QR Code em uma loja ou supermercado e concluir uma compra em euros.

O sistema faria a conversão entre as moedas durante a operação. Ainda não há definição sobre os custos dessas transações, mas especialistas avaliam que eventuais tarifas e taxas de câmbio deverão ser informadas de maneira clara aos usuários.

Além da parte técnica, os bancos centrais ainda precisam analisar a demanda potencial, os possíveis casos de uso, os benefícios econômicos e os impactos sobre o mercado de pagamentos. Também estão em avaliação os custos de implementação, o modelo de funcionamento, os mecanismos de liquidação e a forma como ocorreria a conversão cambial.

Nove áreas do Banco Central brasileiro foram mobilizadas para discutir diretrizes de governança e avaliar a compatibilidade entre o Pix e o TIPS. Caso os estudos avancem, um piloto operacional poderá ser realizado em junho de 2028.

O cronograma ainda é preliminar e pode ser alterado conforme as avaliações técnicas e regulatórias. A previsão inicial é que uma etapa de exploração ocorra entre outubro de 2026 e março de 2027. Nesse período, seriam aprofundados os estudos de viabilidade e definidos os principais marcos do projeto.

Depois, entre abril de 2027 e junho de 2028, poderia ocorrer a fase de implementação, condicionada à aprovação dos dois bancos centrais. O planejamento prevê que o corredor de pagamentos fique tecnicamente operacional em novembro de 2027, antes da realização do possível piloto.

No Brasil, também está prevista uma visita de um comitê formado por chefes-adjuntos do Banco Central ao BCE em outubro. Técnicos envolvidos nas discussões esperam que algum avanço nas negociações possa ser anunciado ainda em setembro.

Pix já funciona em alguns países

O Pix já pode ser utilizado por brasileiros em determinados estabelecimentos da Argentina, dos Estados Unidos, incluindo Miami e Orlando, e de Portugal. Nesses casos, porém, a operação não ocorre diretamente por meio da infraestrutura brasileira no exterior.

Os acordos atuais permitem que instituições estrangeiras gerem QR Codes compatíveis com o Pix e recebam a confirmação do pagamento em tempo real. O dinheiro sai da conta brasileira em reais e é direcionado a uma instituição financeira no Brasil. Depois, os recursos são enviados ao exterior por mecanismos tradicionais e convertidos para a moeda local.

Uma integração direta entre o Pix e o TIPS teria um funcionamento diferente, pois conectaria as infraestruturas de pagamentos instantâneos dos dois lados, permitindo uma operação mais integrada entre Brasil e Europa.

Como funciona o TIPS

O TIPS, sigla para Target Instant Payment Settlement, é uma infraestrutura administrada pelo Banco Central Europeu para a liquidação de pagamentos instantâneos. O sistema permite que provedores de serviços financeiros ofereçam transferências em tempo real, durante 24 horas por dia e todos os dias do ano.

A plataforma realiza a liquidação definitiva de pagamentos instantâneos em euros, coroas suecas e coroas dinamarquesas. As operações são concluídas em tempo real e utilizam moeda de banco central.

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