Direto da Redação: a oligarquia de quem jurou destruí-la
Com parentes e amigos, a política piorou — e, com ela, piora o Piauí
Não por falta de discurso, nem por ausência de promessas. Piorou porque o nosso ecossistema público se acostumou a trocar princípios por conveniências e a aceitar como “normal” aquilo que, ontem, era apresentado como escândalo.
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Em 2002, o Piauí assistiu Wellington Dias chegar ao governo com uma bandeira poderosa: o combate às oligarquias. Naquele ano, derrotou o então governador Hugo Napoleão sob o argumento de que o Estado estaria há tempo demais sob o domínio de um mesmo círculo político. Antes disso, em 1994, Mão Santa já havia mobilizado a mesma energia simbólica ao derrotar “os bacuraus”, num discurso de ruptura semelhante, embalado pela promessa de virar a página.
O curioso — e revelador — é que, na política do passado, por mais dura que fosse a disputa, havia um limite tácito: o poder não se apresentava como herança familiar explícita. Hugo Napoleão nunca colocou filhos para disputar eleições, nem fez da política um projeto hereditário declarado. O mesmo vale para seu primo Freitas Neto.
O cargo de vice-governador e a suplência de senador, na lógica daquele tempo, eram fruto de acordos políticos — não de laços de sangue apresentados como credenciais.
Hoje, a realidade é outra. A promessa que nasceu para confrontar o velho padrão começa a reproduzir, com nova estética, a mesma lógica que dizia combater.
O Piauí vê, sem o choque moral que deveria causar, a tentativa progressiva de concentração familiar do poder. Depois de a esposa, Rejane, ocupar mandatos de deputada estadual e federal e de ser alçada ao Tribunal de Contas do Estado, Wellington abre espaço para mais um movimento: o filho na política. O roteiro é conhecido. A linguagem muda, a embalagem melhora, mas o conteúdo permanece: a política como continuidade doméstica, não como projeto público.
A contradição
É justamente aí que mora a contradição histórica: quem um dia falou em “combater oligarquias” hoje se mostra um velho oligarca, flerta com o mesmo mecanismo — o poder como patrimônio, como linha sucessória, como herança passada de pai para filho. Literalmente.
E quando um Estado naturaliza esse tipo de arranjo, ele paga um preço alto: não apenas pelo que se faz, mas por aquilo que se permite.
Tem alguém levando tudo
E aí surge a figura de Wellington Dias, 40 anos depois do combativo militante petista, se apossando de tudo no Estado, como se fosse o seu dono, esculpido exemplo da canção do sertanejo Zé de Camargo: “Tem alguém levando lucro
Tem alguém colhendo o fruto
Sem saber o que é plantar
Tá faltando consciência
Tá sobrando paciência
Tá faltando alguém gritar”
Um é pouco, dois é bom, três é demais
E seis? Operações Sem Desconto, Carbono Oculto, Complience Zero, Rejeito, Transparência, Galho Fraco seriam bombas relógios prestes a explodir no colo de políticos candidatos em 2026.
iNSS, Banco Master, PCC, Emendas parlamentares. Agora está sendo aguardada mais uma operação da Polícia Federal como sequência e consequência natural.
Segundo a fonte da coluna informa: "Seria a operação do fim do mundo".
Por que? Indagou a coluna
- "Porque muda o jogo todo em Brasília e até no teu Piaui'!
vishi!
O fim do caju
Um artigo publicado no portal UOL, sob assinatura do maior especialista brasileiro em mudanças climáticas, o cientista Carlos Nobre, informa que estudos nesta área indicam que, em razão do aquecimento global, até 2070, o Nordeste pode perder mais da metade das áreas adequadas ao cultivo do caju, “símbolo econômico e cultural do semiárido brasileiro”.
Emprego e renda
O caju é muito mais que somente uma fruta. Em Estados como o Piauí, sustenta milhares de famílias com seu cultivo.
Em mais de 100 dos 224 municípios do Piauí há áreas plantadas com caju superiores a 50 hectares – sobretudo nas regiões do Vale dos Guaribas e Chapada Vale do Rio Itaim, maiores produtoras do Estado, que é o segundo em extensão de terras cultivadas com a fruta no Nordeste,
Impacto
Carlos Nobre alerta que haverá um gigantesco impacto socioambiental sobre o Nordeste, considerando que muitas em localidades a cadeia produtiva do caju responde por cerca de 40% da renda mensal das famílias.
Risco efetivo
Diz o cientista que “simulações climáticas recentes indicam que o aquecimento global tende a reduzir de forma significativa as áreas onde o cajueiro consegue sobreviver e produzir no semiárido brasileiro. Hoje, cerca de 18 milhões de hectares ainda apresentam condições favoráveis ao cultivo. No entanto, esse cenário começa a se estreitar nas próximas décadas.”
Menos cultivo
Segundo projeções de cenário, até 2050, o Nordeste pode perder cerca de 36% dessas áreas adequadas. No cenário mais extremo, projetado para 2070, a redução pode chegar a 58%, concentrando as áreas aptas para o litoral do Nordeste. Em outras palavras: mais da metade das áreas hoje aptas ao cultivo do caju pode deixar de sê-lo em menos de 50 anos.
Deserto
O que pode causar toda essa perda é o aumento da temperatura global, com intensificação de secas severas e redução no volume de chuvas. Haveria uma queda de 100 a 150 milímetros nas precipitações anuais nas regiões produtoras de caju, onde a média anual inferior a 800 milímetros, ou seja, com menos chuva haverá queda no rendimento dos cajueiros, além do risco de se acelerar a aridificação.
O que é
Segundo define o cientista, a aridificação é bem mais que redução das chuvas. Trata-se de um processo climático mais complexo, marcado pelo aumento da evaporação, pelo ressecamento dos solos, pela perda progressiva de umidade e pela maior dificuldade das plantas em completar seus ciclos de crescimento e produção.
Já começou
Carlos Nobre explica que esse é um processo em curso. “Dados observacionais mostram que o Nordeste já enfrenta reduções expressivas nos volumes anuais de chuva. Em cidades como Cipó, na Bahia, Parnaíba, no Piauí, e Aracaju, em Sergipe, foram registradas quedas acumuladas superiores a 500 milímetros em séries históricas da precipitação anual. Esses números revelam que o sistema climático da região já está respondendo às mudanças globais, processo que também é intensificado pelo desmatamento da Caatinga”.
Quadro grave
O Hospital Regional Leônidas Melo, de Barras, a 120 km de Teresina, enfrentou no fim de semana passada uma série de transtornos em razão de chuvas.
Infiltrações antigas permitiram que a água da chuva entrasse pelos dutos de eletricidade e teto, molhando leitos e corredores.
Bem pior
Mas isso é apenas um problema agravado por situações nada confortáveis, como a falta de equipamentos básicos como monitores,• glicosímetros, aparelhos de pressão, ventiladores pulmonares, macas, colchonetes e cadeiras de rodas.
Fechado esse bicho daria menos prejuízo.
Abre o olho
Primeiro foi Fábio Novo quem levou um toco dos prefeitos do PT, que deixaram a ele um recado claro: eles não obedecem a ordens do chefe de partido. Agora, quem descobre isso é o pré-candidato a senador pelo PSD, deputado Júlio César, que vê prefeitos de seu partido apoiando Ciro Nogueira, do PP.
Pompilim
Júlio César Lima demonstrou com surpresa a declaração de apoio do prefeito de São Miguel do Tapuio Pompílio Lira Evaristo, filiado ao partido, à reeleição de Ciro Nogueira.
Como na política não existe espaço para inocentes, desinformados e outros tipos líricos, o deputado deveria saber que prefeito faz o que bem entende e o que melhor lhe cabe.
Frase
“Nós vamos ver como o senador Flávio Bolsonaro vai se comportar: se será um candidato para unificar o Brasil ou um candidato apenas para defender legado.”
Frase do senador Ciro Nogueira publicada nesta quarta-feira no jornal O Estado de S Paulo.