Ao longo das nossas observações filosóficas, numa complexidade de teorias que se formaram durante séculos, estudamos os estoicos, os cinicos e agora, chama-me atenção a filosofia dos maniqueus, que se sustenta numa dualidade entre o BEM e MAL pré existentes, segundo eles, nas relações humanas.
Na Pérsia, século III, hoje o Irã, no Médio Oriente, nasce essa corrente filosófica através de MANI, sustentando essa dualística entre o BEM e o MAL, as TREVAS e a LUZ.
O grande AGOSTINHO, depois SANTO AGOSTINHO, um excepcional viajor no campo dos ideais filosóficos, em busca da verdade, aportou no maniqueísmo a fim de compatibilizar suas crenças religiosas com a racionalidade, a razão em si, mas não encontrou suas respostas deixando “a latere” estes princípios que adotara por algum tempo, especialmente porque com a visão de um Deus, o mal não poderia ser um princípio. Essas duas vertentes seriam paradoxal para Agostinho, o mal só existe em face da ausência do bem, as trevas só existem, devido a ausência da luz!
Daí em diante, passou a se concatenar com o dualismo de Platão, o espírito e o corpo, tornando-se o mais importante seguidor e representante do Cristianismo, fervoroso defensor dos primados da Igreja Primitiva, depois do Apóstolo Paulo, segundo os estudiosos.
Por essas excelsas qualidades, após sua conversão a Cristo, embora pagão, se consagra a serviço da Igreja Católica Romana, tornando-se um dos primeiros Doutores da Igreja.
SANTO AGOSTINHO viveu muitos momentos de lassidão, desregramento moral, mas sua conversão o santificou ao lado de sua mãe Santa Mônica.
O maniqueísmo pregava essa visão etnocêntrica reduzindo tudo ao bem ou mal, ao certo ou errado.
No decorrer desses períodos, o maniqueísmo foi sendo levado a linguagem comum, que se adapta muito bem ao exercitamento da política na polaridade do bem e do mal, o que nos leva, ao nosso caso em particular brasileiro, maniqueísmo político, como vivenciamos hoje. As diferentes correntes políticas num cenário polarizado como se fosse o bem, quando do outro lado está a maldade.
Essa forma de pensar fere de morte a nossa democracia, nascida do ideal grego que herdamos a milênios. Democracia é o embate de idéias, do contraditório, pensamentos díspares filtrando o que poderá nascer de melhor para a sociedade. A democracia se revela na palavra e na escuta, sem imposições totalitárias, contrárias à lei e aos bons costumes.
Este maniqueísmo extermina com o debate, extingue as idéias, reduz a democracia ao pó, alavanca os títeres, déspotas, ditadores, sepultando o confronto das palavras, o grito de liberdade que é essencial a manutenção de nossos direitos .
Que no nosso País seja extirpado vez por todas desse maniqueísmo político, que muitas das vezes, não cooptado pelo povo, devido a ignorância que temos, pela ausência de educação e cultura de um povo marginalizado e sofrido.
ACADEMIA PIAUIENSE DE LETRAS - APL / HOMEGAGEIA MULHERES PIAUIENSES
O Preseidente da APL, acadêmico Zózimo Tavares Mendes, realizou na manhã deste sábado(10), uma homenagem alusiva ao Dia Internacional da Mulher, dentre elas destacamos a Pianista Carla Ramos.