De dentro do peito?

Josenildo Melo

Escrevendo na madrugada. Eis um artigo diferenciado. Sobre a complexidade da vida humana. Afinal pra que mesmo existimos? Quanta gente boa sofre perrengues diários? Quantas pessoas ruins e maléficas vivem a esbaldar-se? Já parou para pensar sobre isso? Vivemos em um mundo de apenas sobreviver. Quantas pessoas passam apenas os dias e vivem por viver? Existem pessoas que sentimos fatos e acontecimentos sem ao menos conhece-las de fato. Temos o hábito de acordar cedinho e fazermos nossa corrida de cinco quilômetros todos os dias. Lembro bem de um senhor, que sempre vivia bêbado e já cedinho estava na sua calçada. Todas as vezes que passávamos por ele dizíamos bom dia irmão. Sempre dizia isso de uma forma bem enfática e ele respondia alegremente. Bebia diariamente, somente vivia bêbado, mas pense em uma pessoa de coração bom e que sempre estava pronto ajudar alguém? Há quinze passamos, cedinho e não temos mais para quem dar o entusiasmado bom dia. O senhorzinho não está + vivo!

​De dentro do peito? São aquelas palavras que saem sem nenhum planejamento prévio. Afinal o que é mesmo a vida? Algo que surgiu do sopro do criador e ninguém mais acredita nisso. Deus tudo sabe o que faz? Acreditamos que SIM. E os machucados e espancamentos que a vida nos dar diariamente ou de vez em quando? Até os quarenta anos lembro bem que vivíamos sem nostalgias ou tantas reflexões. Hoje, com 54 anos, a vida já não é mais a mesma. O ato de levantar requer toda uma logística. Até mesmo a oração seja matinal ou noturna é sempre pedindo proteção e que Deus nos livre de todo o mal. E sempre agradecendo por mais um dia. A complexidade humana é algo que chega a ser incompreensível. E o recorrer a Igreja? Tem provocado tantos transtornos psicológicos nas pessoas? O chamado equilíbrio de vida não é mais possível? Antigamente achávamos certas expressões incompreensíveis, nos dias atuais compreendemos muito bem o que significa o sossego do lar. É o grande e nobre refúgio!

​As vezes paramos e lembramos da vida com os religiosos católicos. Quando era jovem, cheio de vigor e de fato bonito e mesmo não tão eloquente era cercado de tudo e por todos. Onde nos dais atuais mora o refúgio? No silêncio, na imensa biblioteca construída a fruto de muito suor e lágrimas. Costumamos dizer que vivemos como um monge sem comunidade estabelecida. O sair pra resolver algo ou alguma coisa já não é nossa fonte primária de prazeres. Pelo contrário, nos dias em que somos praticamente obrigados a sair o espírito entristece de vez. A urbanização e a correria das cidades já não nos fazem bem. Até mesmo o ambiente das Igrejas está contaminado. As conversas quase sempre giram em torno da mera sobrevivência. Oásis acadêmicos praticamente estão extintos. A impressão que temos é que as viagens que costumeiramente as pessoas em lugares mais elevados socialmente fazem e até mesmo os “metidos a quererem uma realidade que não é sua” são meros alívios momentâneos e passageiros. Formas de encontrarem válvulas de escape. Eis o motivo de tanta gente alcoolizada e sem sentido?

​De dentro do peito? Nosso colega, sem ser mesmo amigo ou colega, partiu de uma hora pra outra e sem nos deixar o gosto alegre dos tradicionais bons dias. A corrida matinal já não é mais a mesma? Enquanto isso, os maléficos e sem escrupulosos vivem até dizer chega? Não podemos adentrar por estes caminhos. A vida é um dom de Deus e cabe ao mesmo cultivá-la ou tirá-la. E certo mesmo é a incompreensão sempre perante fatos e acontecimentos? A certeza é a de Bento, Francisco ou Agostinho: “somos pó e ao pó retornaremos. O teatro da vida já aos 54 clama e diz: tudo é vaidade e vaidade das vaidades. O cérebro é atualmente tão valorizado. Mas o falar ou escrever de dentro do peito é importante. O ato de escrever não pode ser um mero ESCREVER racionalmente!

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