Lula diz confiar em Lulinha, mas defende continuidade de investigação
Presidente afirma que não pedirá encerramento dos inquéritos e diz que filho deve se defender
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta sexta-feira (14) que confia no filho mais velho, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, mas que não pretende interferir nas investigações da Polícia Federal que o envolvem. Em entrevista a podcasts, o presidente disse ter orientado os advogados do filho a não pedir o encerramento dos processos.
Lula afirmou que Lulinha nega as suspeitas e que, caso seja inocente, deve apresentar sua defesa às autoridades. Segundo o presidente, eventual culpa deverá ser apurada e responsabilizada dentro da lei.
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“Se é inocente, vá à luta, se é culpado, contrate advogado”, afirmou.
O presidente também disse acreditar na versão apresentada pelo filho, que nega irregularidades. Ao mesmo tempo, afirmou que não pretende utilizar sua posição para impedir o andamento das investigações.
“Eu acredito nele, mas eu já disse aos advogados: ‘Ninguém vai pedir fechamento de processo do meu filho’. Quero que ele seja investigado”, declarou.
Lula afirmou ainda que não sabe o que ocorreu nos fatos investigados e que apenas o próprio filho poderia esclarecer sua eventual participação. Ele também comparou a situação à própria experiência com investigações e processos judiciais.
Filho já foi citado por Lula em outras ocasiões
Não é a primeira vez que o presidente afirma que Lulinha não deve receber tratamento diferente por ser seu filho. No fim de julho, Lula declarou que, caso ele fosse acusado de algum crime, deveria ser tratado como qualquer outro investigado.
Na ocasião, o presidente disse que não pediria a delegados ou juízes que deixassem de cumprir suas funções e afirmou que não haveria privilégio para o filho.
Na entrevista desta sexta-feira, Lula também afirmou que acusações contra Lulinha surgem durante períodos eleitorais e disse que, em episódios anteriores, nenhuma teria sido comprovada.
PF investiga atuação de Lulinha
Segundo as informações apresentadas na entrevista, Lulinha é alvo de três inquéritos da Polícia Federal. Dois foram autorizados pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), e um terceiro teve autorização do ministro Flávio Dino.
As investigações apuram, entre outros pontos, se Lulinha teria atuado junto ao Ministério da Saúde em negociações relacionadas à autorização para comercialização de produtos à base de cannabis.
A PF também investiga possíveis relações entre Lulinha e o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS” e apontado pela polícia como um dos operadores de um esquema de desvios de recursos da Previdência.
Defesa pede acesso aos inquéritos
A defesa de Lulinha solicitou acesso às investigações e afirmou que pretende prestar esclarecimentos às autoridades. Os advogados também pediram informações sobre os diferentes procedimentos que envolvem o empresário.
Segundo o advogado Guilherme Suguimori, a defesa ainda não havia tido acesso aos inquéritos e pretendia analisar os documentos antes de apresentar depoimentos e outros elementos.
Fonte: CNN Brasil