As consultas no Google por “altcoin” atingiram o patamar mais alto desde 2021 e o termo “Ethereum” alcançou pico de dois anos, segundo o Google Trends. O salto ocorreu em meados de agosto de 2025, junto de manchetes sobre novos pedidos de ETFs de cripto e maior diversificação de tesourarias corporativas para além do Bitcoin.
É um termômetro de atenção do varejo, não uma previsão de preço, mas essas curvas de busca costumam acompanhar janelas de notícias que ampliam liquidez e produtos regulados. Dias depois, o interesse por “alt season” recuou mais de 50%, lembrando que o sentimento oscila rápido.
Esse pano de fundo reaquece conversas de investidores sobre criptomoedas que podem explodir em 2025, principalmente quando surgem indícios de mais veículos regulados e empresas listadas assumem posições relevantes em ativos alternativos. No Brasil, já existe um mercado local, de ETFs listados à chegada dos futuros de Ethereum e Solana na B3.
A temporada de ETFs além de Bitcoin e Ether
Nos Estados Unidos, 2025 abriu espaço para uma fila de ETFs que miram altcoins. Analistas da Bloomberg Intelligence, como Eric Balchunas e James Seyffart, vêm estimando alta probabilidade de aprovação para fundos de Solana, XRP e Litecoin, com a leitura de que uma “onda” de autorizações pode se concentrar no segundo semestre.
Ao mesmo tempo, a SEC tem postergado marcos de decisão, por exemplo, os pedidos de Solana de 21Shares e Bitwise foram adiados para outubro, o que reforça que a discussão está viva, mas ainda em avaliação. O noticiário inclui propostas menos óbvias, como um ETF spot de SUI.
Em março, a Canary Capital registrou na SEC o Canary SUI ETF. Em junho, a Nasdaq protocolou a regra para listar o 21Shares SUI ETF, iniciando formalmente a revisão regulatória.
Também há trâmites na Cboe BZX para listar o ETF de SUI, além de dossiês para índices e produtos com staking. Nada disso é recomendação de investimento, apenas exemplos de como o cardápio de ativos elegíveis a ETFs pode se ampliar além dos nomes mais conhecidos.
Tesourarias corporativas sinalizam diversificação além do BTC
Outra peça que ajuda a explicar o pico de buscas é a adoção cada vez maior de altcoins em tesourarias. A Upexi (Nasdaq: UPXI) informou, em 5 de agosto, ter superado 2 milhões de SOL em caixa, com parte em staking para gerar rendimento.
No mesmo mês, a DeFi Development Corp. (Nasdaq: DFDV) divulgou que elevou seu saldo para 1,42 milhão de SOL, acompanhando uma estratégia explícita de acumulação e staking do ativo. São movimentos incomuns quando comparados ao padrão Bitcoin na tesouraria, mas que ampliam a visibilidade de outras redes entre investidores institucionais e de varejo.
O investidor brasileiro ganhou, em 16 de junho de 2025, dois novos instrumentos regulados, os contratos futuros de Ethereum (ETR) e Solana (SOL) da B3. Eles são cotados em dólar, referenciados aos índices Nasdaq Ether Reference Price e Nasdaq Solana Reference Price.
Com tamanhos de contrato de 0,25 ETH e 5 SOL e vencimentos na última sexta-feira de cada mês, das 9h às 18h30. A chegada desses derivativos amplia as estratégias possíveis, hedge, exposição tática e alavancagem sob regras locais, e dialoga com o interesse do público por altcoins que não para de crescer.
No plano regulatório, a CVM publicou em 18 de julho de 2025 o Ofício-Circular nº 4/2025/SIN, com interpretações sobre ETFs e BDRs de ETF. Entre os pontos, o documento detalha aspectos operacionais e de formador de mercado.
Trazendo maior clareza para produtos que podem servir de ponte entre o investidor local e cestas de cripto no exterior. Essas orientações somam-se a decisões anteriores que permitiram ampliar a prateleira de ETFs de cripto no país.
Onde entram os produtos listados no Brasil
Antes mesmo dos futuros, a B3 já abrigava ETFs temáticos de cripto. Materiais institucionais do Bora Investir (B3) mostram, por exemplo, HASH11 e ETHE11 entre os mais negociados do segmento, com dados de patrimônio e volume que ajudam a dimensionar o apetite do investidor brasileiro.
No entanto, os ETFs oferecem exposição passiva e sem alavancagem, enquanto os futuros exigem política de margem, gerenciamento de risco e entendimento de variações diárias de ajuste. Além disso, depois das máximas da primeira quinzena de agosto, o mercado passou por realizações.
Em reais, o ETH oscilou na faixa de R$ 22 mil a R$ 26 mil nos últimos dias, segundo consolidadores de preço, enquanto o noticiário alternou entre entradas recordes em fundos e alertas de pressão vendedora. Para calibrar expectativas, vale notar que o interesse por “alt season” recuou na mesma semana em que as cotações corrigiram, reforçando a natureza volátil do tema.
O pico nas buscas indica curiosidade e chegada de novos participantes, mas não garante valorização sustentada. Os pedidos de ETFs nos EUA podem avançar, ou sofrer novos adiamentos, e as novidades locais, como os futuros da B3, ampliam possibilidades.