A Federação Piauiense de Atletismo (FPI) informou que passará a exigir, a partir de janeiro de 2026, a emissão do chamado Permit para a realização de corridas de rua no estado, com cobrança de taxa que varia conforme o número de inscritos em cada evento.
A decisão foi comunicada por meio de nota circular publicada no estatuto da entidade. O Permit é uma autorização técnica que certifica que a prova atende às normas de organização, segurança e regulamentação estabelecidas pela Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt) e pela Federação Internacional de Atletismo (World Athletics).
Segundo a FPI, a certificação será obrigatória para validar oficialmente os resultados das provas, garantir a segurança dos atletas e assegurar padrões técnicos mínimos, como aferição do percurso, sinalização adequada, presença de equipe médica, ambulâncias, seguro para os participantes e pontos de hidratação.
De acordo com a presidente da FPI, Maria da Paz Pereira, os valores cobrados variam de R$ 750 a R$ 4.500, conforme a quantidade de corredores inscritos. Corridas com até 300 atletas pagarão a menor taxa, enquanto eventos com mais de 2 mil participantes estarão sujeitos ao valor máximo. Ela argumenta que, diluída entre os atletas, a cobrança representa cerca de R$ 3 por inscrição.
“A federação não está apenas cobrando uma taxa, mas fiscalizando, organizando e validando os resultados junto à Confederação Brasileira de Atletismo. Esse recurso também precisa ser prestado contas à CBAt e contribui para a manutenção do atletismo no estado, que vai além das corridas de rua”, afirmou.
A dirigente destacou ainda que provas beneficentes também precisarão solicitar o Permit, embora, nesses casos, a cobrança da taxa não seja automática. Segundo ela, a federação poderá estabelecer parcerias com os organizadores, a depender do perfil do evento.
A exigência do Permit tem respaldo legal. O Código de Trânsito Brasileiro determina que competições esportivas em vias públicas dependem de autorização da autoridade de trânsito e da entidade desportiva competente. A Lei Geral do Esporte, sancionada em 2023, reforça o papel das federações na fiscalização e autorização desses eventos.
A FPI alerta que corridas realizadas sem a autorização estarão sujeitas a sanções administrativas, possível impedimento de eventos futuros e responsabilização civil dos organizadores em caso de acidentes. Além disso, os resultados obtidos em provas sem Permit não terão validade para rankings estaduais ou nacionais.
Com a medida, a federação afirma buscar um crescimento mais organizado, seguro e sustentável das corridas de rua no Piauí, modalidade que vem registrando aumento significativo no número de eventos e participantes nos últimos anos.