Às vésperas da final da Copa do Mundo entre Argentina e Espanha, marcada para este domingo (19), a seleção argentina enfrenta um cenário incomum na América Latina. Em vez de unir a torcida do continente, os atuais campeões veem crescer o apoio à equipe espanhola, impulsionado por rivalidades históricas, críticas à arbitragem e polêmicas envolvendo torcedores e jogadores argentinos.
Nas redes sociais, memes e campanhas favoráveis à Espanha ganharam força nos últimos dias. Uma das imagens mais compartilhadas mostra o atacante Lamine Yamal vestido com a camisa da Seleção Brasileira, acompanhado da frase "a esperança do povo brasileiro", simbolizando o sentimento de parte dos torcedores que preferem ver a Espanha levantar a taça.
Além do Brasil, manifestações semelhantes foram registradas entre torcedores de países como México, Colômbia, Equador e Chile, onde muitos demonstram preferência por uma derrota da Argentina na decisão.
Para o sociólogo colombiano Germán Gómez, ouvido pela AFP, o tradicional apoio entre seleções latino-americanas durante as Copas perdeu força no caso da Argentina. Segundo ele, a percepção foi intensificada pelas redes sociais, onde se espalharam narrativas que associam a equipe comandada por Lionel Scaloni a supostos favorecimentos da Fifa.
As decisões da arbitragem também alimentaram as discussões ao longo da competição. Mesmo em lances considerados corretos por especialistas, torcedores questionaram a condução das partidas envolvendo os argentinos, reforçando o debate nas plataformas digitais.
Outro fator que contribuiu para a rejeição foi a repercussão de episódios de racismo envolvendo torcedores e jogadores argentinos. Durante o torneio, a Fifa condenou ofensas racistas dirigidas ao influenciador norte-americano IShowSpeed por um torcedor argentino, episódio que voltou a colocar o tema em evidência.
Apesar das críticas, Lionel Messi rebateu as acusações de favorecimento e afirmou que o sucesso da equipe é fruto do desempenho dentro de campo. O técnico Lionel Scaloni também reconheceu que os questionamentos chegam ao elenco, mas disse que eles servem como motivação para os jogadores.
A rivalidade foi explorada até mesmo pela publicidade. Uma marca argentina de fernet lançou uma campanha com o slogan "Somos insuportáveis", ironizando a percepção de que os argentinos despertam antipatia entre adversários e transformando o estereótipo em estratégia de marketing.
Embora o sentimento contrário tenha ganhado força em parte da América Latina, a Argentina segue mobilizando multidões por onde passa. Nas Eliminatórias, a presença de Messi continua atraindo torcedores e mantendo vivo o apoio de quem vê na seleção albiceleste uma representante do futebol sul-americano.