EUA podem elevar tarifa sobre produtos brasileiros para até 37,5%

Nova sobretaxa de 12,5% deve ser definida na próxima semana após investigação comercial

Por Redação Portal AZ,

O governo brasileiro acompanha a fase final de uma investigação conduzida pelos Estados Unidos que pode resultar em uma nova sobretaxa de 12,5% sobre produtos nacionais. Se a medida for aplicada de forma cumulativa à tarifa adicional de 25% já anunciada por Washington, parte das exportações brasileiras poderá enfrentar uma taxação total de 37,5%.

Foto: AFPGoverno brasileiro acompanha investigação dos EUA que pode ampliar tarifas sobre exportações nacionais.
Governo brasileiro acompanha investigação dos EUA que pode ampliar tarifas sobre exportações nacionais.

A nova tarifa está ligada a uma investigação do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), que avalia se o Brasil adota mecanismos suficientes para impedir a entrada de mercadorias produzidas com trabalho forçado. A conclusão do processo é esperada para a próxima semana.

O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, afirmou que somente após o encerramento da investigação será possível confirmar se a nova cobrança será somada à tarifa de 25% anunciada recentemente ou se haverá algum tipo de exceção para determinados produtos.

Caso as alíquotas sejam cumulativas, a carga tributária poderá alcançar 37,5% sobre parte das exportações brasileiras destinadas ao mercado norte-americano, cenário que preocupa o setor produtivo.

Levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI) estima que cerca de 4 mil produtos brasileiros, responsáveis por aproximadamente US$ 14,9 bilhões em exportações para os Estados Unidos, podem ser atingidos pela ampliação da tarifa. Segundo a entidade, mais da metade desses itens corresponde a bens intermediários utilizados pela indústria americana, o que também tende a elevar custos para empresas dos Estados Unidos.

Entre os produtos mais expostos estão ferro-gusa, açúcar bruto, etanol, tabaco processado, compensado de pinus, granito, molduras e postes de madeira, além de insumos industriais como peptonas e hidróxido de alumínio. Em diversas dessas categorias, o Brasil é o principal fornecedor do mercado norte-americano.

A investigação que pode resultar na nova sobretaxa é independente da que motivou a tarifa adicional de 25% anunciada nesta semana. O governo americano sustenta que a legislação brasileira não proíbe de forma expressa a importação de produtos fabricados com trabalho forçado em outros países, entendimento que, segundo Washington, pode gerar concorrência desleal.

Enquanto aguarda a decisão dos Estados Unidos, o governo brasileiro prepara medidas para reduzir os impactos sobre os setores mais afetados. Entre as ações em estudo estão a ampliação de instrumentos do Plano Brasil Soberano, oferta de linhas de crédito para exportadores e iniciativas voltadas à diversificação de mercados para os produtos brasileiros.

Fonte: Correio Braziliense

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