Café, carne e petróleo escapam de tarifa de 25% dos EUA
Produtos lideram exportações brasileiras, mas aço, açúcar e calçados serão taxados
Os Estados Unidos deixaram de fora da nova rodada de tarifas de importação alguns dos principais produtos exportados pelo Brasil, como café, carne bovina, petróleo e itens da aviação civil. A sobretaxa de 25%, anunciada nesta quarta-feira (15), atingirá diversos outros setores e passa a valer em 22 de julho.
Os produtos isentos representam cerca de um terço das exportações brasileiras destinadas ao mercado norte-americano no primeiro semestre deste ano. Além deles, também ficaram fora da medida itens como celulose, minério de ferro, ferro-gusa, laranja e suco de laranja.
- Participe do nosso grupo de WhatsApp
- Participe do nosso grupo de Telegram
- Confira os jogos e classificação dos principais campeonatos
Por outro lado, a nova tarifa atingirá segmentos relevantes da indústria brasileira. Estão na lista de produtos taxados ferro e aço, vestuário, calçados, açúcar, etanol, produtos farmacêuticos, máquinas agrícolas, equipamentos elétricos não ligados à aviação e outros bens manufaturados.
Segundo o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), as exceções foram definidas para produtos cuja oferta doméstica é insuficiente ou não atende à demanda do mercado norte-americano a preços competitivos, evitando impactos no abastecimento e na economia do país.
As tarifas foram anunciadas após uma investigação conduzida pelo USTR, que alegou práticas comerciais brasileiras consideradas prejudiciais aos interesses de agricultores, trabalhadores, exportadores e empresas dos Estados Unidos.
O governo brasileiro contestou a decisão, afirmou não reconhecer a legitimidade da investigação e anunciou que recorrerá aos mecanismos previstos na Lei da Reciprocidade Econômica, além de levar a disputa ao sistema de solução de controvérsias da Organização Mundial do Comércio (OMC).
Setor cafeeiro comemora exclusão
Entidades que representam a cadeia do café classificaram como estratégica a decisão de manter o produto fora da lista de sobretaxas. Em nota conjunta, a Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic), a Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (Abics) e o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) atribuíram o resultado à articulação com importadores norte-americanos e à National Coffee Association (NCA).
As entidades destacaram que a medida preserva exportações anuais estimadas entre US$ 2 bilhões e US$ 2,5 bilhões para os Estados Unidos, principal mercado consumidor da bebida.
Apesar da vitória, o setor mantém atenção a uma segunda investigação conduzida pelo USTR, que poderá resultar na aplicação de uma tarifa adicional de até 12,5% sobre o café brasileiro.
Fonte: Com informações da Agência Brasil