Fitch vê endividamento das famílias sem melhora e consumo sob pressão
Juros, inflação e avanço das apostas online dificultam recuperação do varejo, diz agência
O endividamento das famílias brasileiras deve permanecer elevado no curto e no médio prazo, segundo avaliação da agência de classificação de risco Fitch Ratings. Para a instituição, a combinação de juros altos, inflação persistente e crescimento das apostas esportivas continua pressionando o orçamento das famílias e limitando a recuperação do consumo e do varejo.
A avaliação é do diretor sênior da Fitch Ratings, Renato Donatti, que afirma não haver sinais consistentes de melhora na inadimplência ou nas condições de crédito ao consumidor. Segundo ele, o cenário permanece desfavorável devido ao elevado comprometimento da renda das famílias com dívidas e ao aumento do custo de vida.
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De acordo com a Fitch, a inflação, especialmente sobre alimentos e itens de consumo cotidiano, continua reduzindo o poder de compra da população. A agência projeta inflação próxima de 5% neste ano, fator que, aliado às taxas de juros ainda elevadas, dificulta a retomada do consumo.
Outro ponto destacado por Donatti é o crescimento das apostas online. Segundo ele, o setor movimenta entre R$ 250 bilhões e R$ 300 bilhões por ano, recursos que, na avaliação da agência, poderiam ser direcionados ao consumo de bens e serviços no varejo.
Ao comentar os efeitos do programa Desenrola Brasil, criado para renegociar dívidas de consumidores, o executivo afirmou que a iniciativa ainda não produziu mudanças significativas nos indicadores de endividamento. Dados da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) mostram que cerca de 81% das famílias permaneciam endividadas em junho, percentual praticamente estável em relação ao mês anterior.
Para a Fitch, uma melhora gradual poderá ocorrer em 2027, caso a inflação recue para patamares próximos de 4% e o ciclo de redução da taxa básica de juros avance em ritmo mais acelerado.
Entre os segmentos mais vulneráveis, a agência aponta o varejo de moda e vestuário. Essas empresas costumam oferecer crédito próprio a consumidores de menor renda, grupo mais sensível às oscilações econômicas e ao aumento da inadimplência.
Apesar desse cenário, Donatti afirma que as empresas acompanhadas pela Fitch têm adotado maior disciplina financeira desde o período pós-pandemia. Segundo ele, a agência não identifica, neste momento, riscos relevantes de rebaixamento das classificações de crédito das companhias avaliadas.
Fonte: CNN Brasil