Justiça do Piauí já suspendeu show de Alok com dinheiro público

Decisão ocorreu em Cocal após município decretar calamidade financeira

A polêmica em torno do uso de recursos públicos para realização de shows no Piauí não é inédita. Em agosto do ano passado, a Justiça do Estado determinou a suspensão de apresentações do DJ Alok e de outras atrações em Cocal, no Norte do estado, justamente por envolver gastos públicos em meio a um cenário de crise financeira.

Foto: Reprodução
Decisão judicial suspende shows pagos com verba pública em cidade em crise

A decisão foi proferida pelo juiz Anderson Brito da Mata, da Vara Única da Comarca de Cocal, atendendo a um pedido do Ministério Público do Estado do Piauí (MPPI). Os shows estavam previstos para ocorrer entre os dias 11 e 14 de agosto e faziam parte da programação festiva do município.

Na época, os contratos das atrações — que incluíam Alok, Natanzinho Lima, Hungria Hip Hop e a banda Anjos de Resgate — somavam cerca de R$ 1,8 milhão, podendo ultrapassar R$ 3 milhões com outros custos envolvidos.

Município havia decretado calamidade

A suspensão ocorreu porque a prefeitura de Cocal havia decretado estado de emergência e calamidade financeira poucos meses antes da realização do evento.

De acordo com relatório da própria gestão municipal, cerca de 86% da receita do município era comprometida com despesas fixas, o que, segundo o diagnóstico, poderia afetar diretamente serviços essenciais como saúde e educação.

Na decisão, o magistrado questionou a mudança repentina no cenário financeiro da cidade.

“Não me parece crível concluir que, em menos de cinco meses, o município saiu da penúria financeira descrita […] para uma situação de conforto econômico”, afirmou o juiz.

Determinações e multa

Com a decisão, a prefeitura foi obrigada a suspender os pagamentos aos artistas e ficou proibida de firmar novos contratos para os festejos. Em caso de descumprimento, foi fixada multa diária de R$ 3 milhões ao gestor municipal.

Também foi determinada a retirada de materiais publicitários ligados ao evento e à gestão.

Alok se pronunciou

Após a repercussão, o DJ Alok se manifestou nas redes sociais. Em publicação, afirmou que não tinha conhecimento prévio das condições financeiras do município e disse concordar com a decisão judicial.

“Soube pela imprensa sobre a suspensão do evento e quero dizer que concordo com a decisão porque eu não sabia sobre as condições do município”, escreveu.

O artista também destacou que há uma equipe responsável por definir os locais de suas apresentações e afirmou que solicitou maior rigor na análise desses critérios.

Debate recorrente

O episódio ocorrido em Cocal volta a ganhar relevância diante de novos questionamentos sobre o financiamento de eventos com recursos públicos no estado.

Casos como esse reforçam o entendimento de que, embora a contratação de shows seja permitida, o uso de dinheiro público precisa estar alinhado à realidade fiscal e às prioridades da população, especialmente em cenários de restrição orçamentária.

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