Desemprego cai ao menor nível da série, mas mercado mostra perda de fôlego

Com ocupação estabilizada, queda para 5,4% reforça sinais de limite na geração de vagas

A queda do índice, que estava em 5,6% no trimestre anterior, ocorre mesmo com sinais de estabilização na geração de postos de trabalho. O total de pessoas ocupadas manteve-se em 102,5 milhões, enquanto a população desocupada caiu para 5,9 milhões, o menor contingente já registrado pela pesquisa. Em relação ao mesmo período de 2024, houve recuo de 0,7 ponto percentual.

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Carteira de trabalho

Apesar do resultado positivo, economistas destacam que o mercado de trabalho parece ter atingido seu limite de expansão. Para a economista-chefe do PicPay, Ariane Benedito, o movimento “reflete ganhos acumulados ao longo do trimestre, mas ocorre em um cenário de estabilização da população ocupada”. O economista Antonio Ricciardi, do Daycoval, reforça que a taxa dessazonalizada segue parada em 5,7% pelo terceiro mês consecutivo.

Outros indicadores também mostram desaceleração. A taxa composta de subutilização ficou em 13,9%, o menor patamar da série, enquanto a informalidade permaneceu em 37,8% da população ocupada, somando 38,7 milhões de trabalhadores. Já o número de empregados com carteira assinada no setor privado chegou a 39,2 milhões, mantendo-se estável e em nível recorde.

Os rendimentos, porém, continuam em alta. A massa de rendimento real alcançou R$ 357,3 bilhões, novo recorde, e o salário médio chegou a R$ 3.528, avanço de 3,9% em um ano. Para especialistas, a pressão inflacionária dos serviços ainda deve desacelerar nos próximos meses, acompanhando o desaquecimento gradual do mercado de trabalho.

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