Transnordestina avança e é aposta do Nordeste em nova rota logística ferroviária

Obra deve ser concluída até 2029 e promete destravar o escoamento de cargas na região

O Nordeste aposta no modal ferroviário para ampliar a capacidade de transporte e exportação de produtos estratégicos. Após quase duas décadas de obras marcadas por atrasos e suspensão de repasses, a Transnordestina vive agora um novo momento, com investimentos retomados e previsão de conclusão até o fim da década. O projeto, com 1.206 quilômetros de extensão, deve conectar Eliseu Martins (PI), Salgueiro (PE), o Porto do Pecém (CE) e o Porto de Suape (PE), consolidando uma das maiores obras logísticas do país.

Foto: Ministério dos Transportes
Construção, que começou em 2006, está 15 anos atrasada;

Com investimentos estimados em R$ 12 bilhões, o empreendimento divide-se entre trechos administrados pelo setor privado, por meio da Transnordestina Logística S.A (TLSA), e segmentos sob responsabilidade do governo federal, que ainda enfrentam maior defasagem. Segundo o Ministério dos Transportes, R$ 7 bilhões já estão sendo aplicados e outros contratos devem ampliar o ritmo das obras a partir de 2025. A expectativa é que o Porto do Pecém receba os trilhos já no segundo semestre de 2027, e o Piauí, no início de 2028.

A ferrovia é considerada essencial para o escoamento da produção do Matopiba, região agrícola que inclui Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, atualmente dependente de rotas mais longas e caras. No Porto do Pecém, que registrou crescimento de 7% em 2024, a chegada da Transnordestina deve impulsionar exportações de grãos, algodão, minérios e cargas industriais. A Associação das Empresas do Complexo do Pecém (Aecipp) avalia que o impacto será “inimaginável” para a economia regional.

Outros portos da região também acompanham o movimento. No Maranhão, o Porto do Itaqui registra crescimento acima da média nacional e reforça o papel das ferrovias como impulsionadoras da competitividade. Especialistas apontam que, apesar do avanço tecnológico, o transporte ferroviário segue como alternativa mais barata e eficiente para cargas pesadas e de baixo valor agregado, razão pela qual a conclusão da Transnordestina é vista como estratégica para reduzir desigualdades logísticas no país. 

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