O Brasil atingiu, em 2024, o maior nível de ocupação entre pessoas com 60 anos ou mais desde 2012: cerca de 8,3 milhões de idosos estavam trabalhando no ano passado, o equivalente a 24,4% dessa população. Os dados fazem parte da Síntese de Indicadores Sociais, divulgada nesta quarta-feira (3) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O crescimento registrado nos últimos cinco anos acompanha mudanças como o aumento da expectativa de vida e a reforma da previdência, promulgada em 2019, que exige mais tempo de contribuição para a aposentadoria. Segundo a analista do IBGE, Denise Guichard Freire, esses fatores ajudam a explicar por que mais idosos permanecem no mercado de trabalho.
O estudo mostra ainda que a taxa de desemprego desse grupo foi de apenas 2,9% em 2024, a menor da série histórica. Entre os idosos de 60 a 69 anos, 34,2% estavam ocupados, quase metade dos homens e pouco mais de um quarto das mulheres. Já entre aqueles com 70 anos ou mais, o índice cai para 16,7%.
Outro destaque é o perfil de atuação: mais da metade dos trabalhadores idosos (51,1%) atua por conta própria ou como empregador, proporção muito superior à média nacional de 29,5%. Ao mesmo tempo, apenas 17% possuem carteira assinada, bem abaixo dos 38,9% do total de trabalhadores no país. Apesar disso, o rendimento médio mensal dos idosos foi maior: R$ 3.561, valor 14,6% acima da média geral.