Entidades que reúnem representantes da indústria, do comércio, do agronegócio e do transporte intensificaram a pressão sobre o Senado para aprovar uma proposta alternativa ao fim da escala 6x1. Em carta aberta divulgada nesta terça-feira (9), associações empresariais defenderam a chamada PEC do Trabalho Flexível e alertaram para possíveis impactos econômicos da mudança aprovada pela Câmara dos Deputados.
A manifestação ocorre enquanto o Senado analisa a proposta que reduz a jornada semanal de 44 para 40 horas, estabelece duas folgas remuneradas a cada cinco dias trabalhados e limita o expediente a oito horas diárias após um período de transição de 14 meses.
Protocolada por 36 senadores logo após o avanço da PEC do fim da escala 6x1 na Câmara, a PEC 12/2026 propõe que trabalhadores possam optar entre o regime tradicional previsto pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e um modelo flexível, baseado em horas trabalhadas e acordos de jornada.
Segundo os defensores da proposta, o novo formato ampliaria a autonomia dos empregados para adequar os horários às demandas da vida pessoal e profissional, sem abrir mão de direitos como 13º salário, férias remuneradas, adicional de um terço, FGTS e aviso prévio.
Assinada por entidades como a CNA, a CNC, a CNI, a CNT e a Fiesp, a carta afirma representar mais de 40 milhões de empregos e cerca de 90% do Produto Interno Bruto (PIB) do país. No documento, as associações argumentam que determinadas atividades econômicas dependem de remuneração variável, comissões e horários mais flexíveis, o que poderia ser prejudicado por regras mais rígidas de jornada.
As entidades também sustentam que a redução da carga horária nos moldes aprovados pela Câmara poderia elevar custos operacionais e, consequentemente, pressionar preços de bens e serviços consumidos pela população.
Batizada de "Uma Carta para o Brasil que Acorda Cedo", a manifestação empresarial busca influenciar o debate no Senado e reposicionar a discussão sobre a jornada de trabalho em torno da flexibilidade como alternativa ao modelo tradicional.