Renda das mulheres cresce menos e mantém desigualdade com homens
Ganho médio feminino avançou 4,8% em 2025, ante 5,8% entre os homens
O rendimento médio dos trabalhadores brasileiros cresceu em 2025, mas a melhora não ocorreu de forma igual entre homens e mulheres. Segundo o Observatório Brasileiro das Desigualdades 2026, a renda média mensal chegou a R$ 3.376, alta de 5,3% em relação ao ano anterior. Entre os homens, porém, o avanço foi de 5,8%, enquanto entre as mulheres ficou em 4,8%.
A diferença de desempenho também aparece na análise regional. No Norte, os rendimentos masculinos cresceram 6%, ante 4,5% entre as mulheres. No Sudeste, a distância foi ainda maior: 6,4% de aumento para os homens e 3,5% para as mulheres.
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Sul e Centro-Oeste foram as únicas regiões em que o rendimento feminino avançou mais do que o masculino.
Mulheres negras têm menor rendimento
As desigualdades são ainda mais acentuadas quando os dados são analisados por raça e gênero. Em 2025, mulheres negras tiveram rendimento médio mensal de R$ 2.184, o menor entre os grupos analisados.
Na comparação, mulheres não negras receberam, em média, R$ 3.628, enquanto homens não negros chegaram a R$ 5.172.
O crescimento da renda também foi desigual. Entre mulheres negras, houve alta de 3,7%. O rendimento aumentou 4,1% entre homens negros, 4,8% entre mulheres não negras e 6,9% entre homens não negros.
Desemprego e trabalho doméstico
A desigualdade também aparece na situação de emprego. Embora a taxa de desocupação tenha recuado no país, as mulheres negras apresentaram a maior taxa entre os grupos analisados, de 8,5% em 2025.
Outro fator apontado pelo levantamento é a distribuição das responsabilidades domésticas. Entre as mulheres que estavam fora da força de trabalho, mas gostariam de trabalhar, 31% disseram que não procuraram emprego por causa das tarefas domésticas e dos cuidados com outras pessoas.
O dado mostra que a participação no mercado de trabalho não depende apenas da disponibilidade de vagas ou do nível de renda, mas também das condições para conciliar emprego e responsabilidades de cuidado.
Relatório aponta caminhos
O Observatório Brasileiro das Desigualdades está em sua quarta edição e reúne indicadores sobre áreas como trabalho, renda, saúde, alimentação e bem-estar.
Para Huri Paz, mestre em Sociologia pela USP e coordenador institucional do Afro-Cebrap, a redução das desigualdades exige políticas voltadas à renda e ao patrimônio, à divisão das responsabilidades de cuidado, às ações afirmativas e ao desenvolvimento econômico de regiões historicamente menos favorecidas.
Fonte: CNN Brasil