TCDF bloqueia R$ 2,76 bilhões de ex-dirigentes do BRB no caso Master
Medida cautelar busca preservar recursos para eventual ressarcimento aos cofres públicos.
Uma investigação independente contratada pelo Banco de Brasília (BRB) apontou falhas nos mecanismos de governança e de controle interno relacionados às operações realizadas com o Banco Master. O relatório foi elaborado pelo escritório Machado Meyer, com apoio especializado da Kroll Associates Brasil, e concluído em 7 de abril de 2026. O BRB informou que a documentação da apuração foi encaminhada à Polícia Federal.
Segundo o relatório, o então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, teria exercido influência sobre estruturas internas do banco e adotado práticas que, de acordo com os investigadores, contribuíram para enfraquecer mecanismos de governança e gestão de riscos.
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Entre os procedimentos apontados está a divisão das operações em parcelas de até R$ 750 milhões. Conforme a apuração, a fragmentação teria permitido que os negócios não fossem submetidos ao Conselho de Administração do banco na forma correspondente ao volume financeiro total envolvido.
As operações relacionadas a ativos do Banco Master teriam ultrapassado R$ 20 bilhões. O relatório aponta que não houve deliberação colegiada correspondente ao montante global das transações.
A investigação também descreve um ambiente interno no qual manifestações técnicas contrárias às operações teriam sido alvo de intimidação ou retaliação. O documento atribui a Paulo Henrique Costa influência relevante sobre a composição e o funcionamento de órgãos internos de governança.
Outro dado citado na apuração é que aproximadamente 83% do volume financeiro movimentado pelo BRB nas operações analisadas nos exercícios de 2024 e 2025 estava relacionado a ativos vinculados ao conglomerado Banco Master.
De acordo com o relatório, Paulo Henrique Costa teria tomado conhecimento, ao menos em 5 de maio de 2025, de problemas relacionados à documentação e à origem de parte dos ativos negociados. A investigação afirma que, apesar disso, as operações não teriam sido imediatamente suspensas e as informações não teriam sido comunicadas aos órgãos internos de governança e ao Banco Central.
A auditoria também relaciona outros integrantes da estrutura do BRB às operações investigadas. Entre os nomes citados estão Dario Oswaldo Garcia Junior, então diretor da área financeira; Robério Cesar Bonfim Mangueira, então superintendente; Wily da Silva Leão, que ocupava funções de gerência e posteriormente de superintendência interina; João Pedro Leite Nunes, gerente; Luana de Andrade Ribeiro, então diretora executiva de Controle e Riscos; e Marcelo Talarico, então presidente do Conselho de Administração e coordenador do Comitê de Auditoria.
A apuração independente foi realizada depois da crise envolvendo as operações entre o BRB e o Banco Master. O Banco Central determinou a liquidação extrajudicial do Master em novembro de 2025, em meio a problemas de liquidez, situação econômico-financeira e violações de normas do sistema financeiro.
Além da investigação interna, o caso é acompanhado por órgãos de controle e pelas autoridades policiais. Na quarta-feira (23), o Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF) determinou cautelarmente a indisponibilidade de bens e valores de cinco ex-dirigentes do BRB, até o limite global de R$ 2.761.749.206,55. A medida tem validade de um ano e os envolvidos têm prazo de 30 dias para apresentar defesa.
Segundo o TCDF, a indisponibilidade busca resguardar eventual ressarcimento aos cofres públicos diante de indícios identificados nas apurações sobre as operações do banco. O tribunal também determinou o envio das informações obtidas na auditoria independente e abriu uma tomada de contas especial para apurar responsabilidades e possíveis danos ao patrimônio público.
Fonte: Correio Braziliense