Endividamento das famílias atinge maior nível em quase um ano, diz CNC

Cartão de crédito lidera dívidas, enquanto inadimplência avança pelo terceiro mês seguido

O percentual de famílias endividadas voltou a crescer no país e atingiu o maior patamar desde junho de 2025, segundo levantamento da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). O aumento foi registrado em todas as faixas de renda, com impacto mais intenso entre os brasileiros de menor poder aquisitivo.

Foto: Agência Brasil
Cartão de crédito segue como principal fonte de endividamento entre os brasileiros.

A nova edição da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic) mostra que o comprometimento da renda com dívidas se tornou mais frequente entre as famílias brasileiras. Embora o avanço tenha ocorrido em todos os estratos salariais, a situação é mais preocupante entre aqueles que recebem até três salários mínimos.

Nesse grupo, 84,6% das famílias declararam possuir algum tipo de dívida. Entre os lares com renda superior a dez salários mínimos, o índice foi de 71,4%, evidenciando que o endividamento está disseminado, mas pesa de forma mais significativa sobre os orçamentos mais restritos.

A pesquisa também aponta que 17% dos entrevistados se consideram "muito endividados", maior percentual registrado desde junho do ano passado. O dado reforça a percepção de maior dificuldade das famílias em equilibrar as contas diante do cenário de juros elevados.

O cartão de crédito segue como o principal responsável pelo endividamento. Presente em 84,6% dos casos, a modalidade preocupa devido às elevadas taxas cobradas no crédito rotativo. Em seguida, aparecem os carnês de lojas, utilizados por 16,1% dos consumidores endividados, o crédito pessoal, com 13,1%, os financiamentos imobiliários, com 10%, e os financiamentos de veículos, com 9,1%.

Segundo a CNC, o peso do cartão de crédito merece atenção especial. A entidade destaca que o crédito rotativo apresentou taxa média anual de 428,3%, uma das mais elevadas do mercado financeiro.

Além do aumento do endividamento, a inadimplência também avançou. Em maio, 29,9% das famílias relataram possuir contas em atraso. Desse total, 12,3% afirmaram não ter condições de quitar os débitos pendentes. Entre aqueles com pagamentos atrasados, 49,3% informaram estar inadimplentes há mais de 90 dias. Apesar disso, o tempo médio de atraso caiu para 65 dias.

Para os próximos meses, a expectativa da CNC é de continuidade do crescimento do endividamento, acompanhada por uma leve alta no número de contas vencidas. Nesse contexto, a entidade aponta o programa Desenrola 2.0 como uma possível alternativa para estimular a renegociação de débitos e aliviar a situação financeira das famílias.

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