O Índice Geral de Preços - 10 (IGP-10) caiu 0,51% em agosto, após recuo de 1,13% em julho, informou a Fundação Getulio Vargas (FGV) nesta segunda-feira (17). A queda foi influenciada principalmente pelo barateamento da energia elétrica e dos combustíveis.
Com o resultado, o indicador acumula alta de 1,48% no ano e de 2% nos últimos 12 meses. O desempenho de agosto mantém o índice em território de deflação pelo segundo mês consecutivo.
Segundo o FGV IBRE, a redução da energia elétrica residencial teve papel relevante no resultado. O economista Matheus Dias atribuiu o movimento principalmente à aplicação do Bônus de Itaipu, benefício concedido a residências com consumo de até 350 kWh.
A medida contribuiu para uma queda de 8% no preço da energia elétrica residencial dentro do Índice de Preços ao Consumidor (IPC).
Preços ao consumidor
O IPC, que representa uma das parcelas do IGP-10, caiu 0,47% em agosto, após alta de 0,23% no mês anterior. Entre os grupos analisados, as maiores reduções ocorreram em habitação (-1,10%), alimentação (-0,91%) e transportes (-0,49%).
As despesas diversas foram a única categoria a registrar aceleração, passando de uma alta de 0,80% em julho para 1,08% em agosto.
Preços ao produtor
O Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), responsável por 60% da composição do IGP-10, recuou 0,69% em agosto. A queda, porém, foi menor que a registrada em julho, de 1,76%.
O principal impacto veio do grupo de derivados de petróleo e biocombustíveis, que apresentou redução de 10%. Os produtos químicos também contribuíram para o resultado, com queda de 1,48%.
Entre os estágios de processamento, os preços dos bens finais recuaram 0,62%, enquanto os bens intermediários tiveram queda de 1,98%. Na direção oposta, as matérias-primas brutas subiram 0,23%, após redução de 4,47% em julho.
Construção fica mais cara
Na construção civil, o movimento foi diferente. O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) subiu 0,65% em agosto, repetindo a variação registrada no mês anterior.
Os materiais e equipamentos ficaram 0,20% mais caros, enquanto os serviços tiveram alta de 0,34%. O maior avanço veio da mão de obra, que aumentou 1,25%.
Segundo o economista Matheus Dias, os reajustes salariais contribuíram para a pressão sobre os custos da construção em todas as capitais. Em Porto Alegre, a alta da mão de obra chegou a 3,5%.