Autorretrato de Frida Kahlo é vendido por valor recorde em leilão

Obra alcança US$ 54,7 milhões e torna-se a mais cara já leiloada por uma artista mulher.

Um autorretrato de 1940 da artista mexicana Frida Kahlo foi leiloado por US$ 54,7 milhões (cerca de 47,4 milhões de euros) na casa Sotheby’s, em Nova York, estabelecendo um novo recorde mundial para obras de artistas mulheres vendidas em leilão. A pintura, intitulada “El sueño (La cama)”, superou a marca anterior, que pertencia à artista norte-americana Georgia O’Keeffe desde 2014.

Foto: Foto: Kirsty Wigglesworth/The AP
Autorretrato de Frida Kahlo

A obra mostra Frida deitada em uma cama de madeira, flutuando entre nuvens, envolta por folhas, trepadeiras e um cobertor dourado. Acima dela, uma figura esquelética cercada por dinamites reforça o tom simbólico da pintura, descrita pela Sotheby’s como “uma meditação espectral sobre a fronteira entre o sono e a morte”. Para estudiosos, o esqueleto representa o medo da artista de morrer enquanto dormia — uma preocupação que acompanhou Frida durante toda a vida após o grave acidente que sofreu aos 18 anos.

O autorretrato estava em uma coleção privada e havia sido visto pelo público pela última vez no fim da década de 1990. Por isso, especialistas demonstraram preocupação de que a obra volte a ficar inacessível, embora ela já tenha sido requisitada para exposições em cidades como Nova York, Londres e Bruxelas. A identidade do comprador não foi revelada.

Além de quebrar seu próprio recorde, Frida também superou a marca latino-americana em leilões. Sua pintura “Diego and I”, vendida por US$ 34,9 milhões em 2021, era até então a obra mais cara de um artista da região.

Frida Kahlo tornou-se um dos nomes mais emblemáticos da arte mundial, conhecida por retratar sua realidade com intensidade emocional, marcada pela dor física, cirurgias e longos períodos acamada. “Nunca pintei sonhos. Pintei a minha própria realidade”, afirmou certa vez — uma visão refletida em toda a sua produção artística.

O leilão que apresentou a obra reuniu mais de 100 trabalhos surrealistas, incluindo peças de Salvador Dalí, René Magritte e Max Ernst. Embora frequentemente associada ao surrealismo, Frida rejeitava o rótulo, afirmando que seu trabalho era fruto direto de sua experiência pessoal.

A venda ocorre na mesma semana em que outra obra de grande valor foi arrematada na Sotheby’s: o “Retrato de Elisabeth Lederer”, de Gustav Klimt, que alcançou US$ 236,4 milhões, tornando-se uma das pinturas mais caras da história. 

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