PF investiga quadro de 100 mil euros cobrado por ex-assessor de Lula a Lobista
Roberta teria informado que prepararia a documentação relacionada à obra e afirmou que o quadro estava no “carrossel do Louvre”.
Mensagens obtidas pela Polícia Federal (PF) mostram que Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola e ex-chefe de gabinete da Presidência da República, cobrou da lobista Roberta Luchsinger um quadro avaliado em 100 mil euros. O diálogo, de dezembro de 2024, integra a investigação sobre possíveis relações entre a lobista e integrantes do governo federal.
Na conversa, Marcola questiona Roberta sobre a obra: “E meu quadro?? Kkk”. Em resposta, ela afirma que a entrega ocorreria na semana seguinte e menciona também tratativas de negócios com Swedenberger Barbosa, então secretário-executivo do Ministério da Saúde.
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Segundo informações divulgadas pelo jornal O Estado de S. Paulo e confirmadas pela CNN, Roberta teria informado que prepararia a documentação relacionada à obra e afirmou que o quadro estava no “carrossel do Louvre”. Conforme a mensagem analisada pelos investigadores, a peça teria valor estimado em 100 mil euros. A PF não informou se a obra chegou a ser efetivamente entregue.
Investigação
Para os investigadores, o diálogo pode indicar uma possível vantagem econômica destinada a Marcola em meio à intermediação de interesses empresariais atribuída a Roberta. O ex-chefe de gabinete era apontado como responsável pela agenda do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
As mensagens fazem parte de uma investigação que apura a possível atuação de Roberta e Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, em negócios envolvendo integrantes do governo federal. Entre as frentes investigadas estão tratativas relacionadas a contratos de medicamentos à base de cannabis medicinal com o Ministério da Saúde.
A PF também identificou conversas nas quais Roberta teria indicado a compra de joias de diamante avaliadas em R$ 9,2 mil para Marcola. Em outra frente da apuração, mensagens apontam que ela teria enviado ao ex-assessor uma minuta de contrato relacionado ao Ministério da Saúde.
Defesa nega recebimento da obra
A defesa de Marcola afirmou que o conteúdo divulgado foi apresentado de forma parcial e negou que ele tenha recebido qualquer obra de arte ou objeto de valor.
Segundo o advogado Georges Abboud, a própria forma da mensagem, acompanhada de “kkk”, demonstraria que a cobrança não deveria ser interpretada literalmente. A defesa também afirmou que Marcola jamais recebeu o quadro mencionado na conversa.
Marcola deixou a chefia do gabinete presidencial em julho, após a divulgação de informações sobre pagamentos realizados por Roberta. A defesa sustenta que os valores recebidos pelo ex-assessor tinham origem em um empréstimo.
A investigação continua para esclarecer a relação entre os envolvidos e verificar se houve vantagens indevidas ou tráfico de influência nas negociações envolvendo empresas e órgãos do governo federal.
Fonte: Com informações da CNN