O Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) reforçou alerta sobre o aumento de casos de tráfico internacional de brasileiros atraídos por falsas ofertas de trabalho no Sudeste Asiático. O aviso, feito em articulação com o Ministério das Relações Exteriores (MRE), aponta que parte das propostas envolve promessas de altos salários em dólar, passagens aéreas e hospedagem custeadas.
Segundo o governo, as ofertas são divulgadas principalmente em redes sociais e costumam estar associadas a supostas empresas de tecnologia da informação ou call centers. Ao chegarem ao destino, vítimas relatam retenção de passaportes, jornadas exaustivas, restrição de liberdade, ameaças e imposição de participação em golpes virtuais — situações que podem caracterizar tráfico internacional de pessoas, conforme a Lei nº 13.344/2016.
O MJSP coordena, no âmbito federal, políticas de enfrentamento ao tráfico de pessoas e atua em parceria com o MRE, a Defensoria Pública da União e forças de segurança. Entre os instrumentos está o Comitê Nacional de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas (Conatrap), responsável por propor diretrizes e acompanhar a execução da política nacional sobre o tema.
A pasta também articula os Núcleos de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas e os Postos Avançados de Atendimento Humanizado ao Migrante, que oferecem acolhimento, apoio psicossocial e assistência jurídica.
A coordenadora-geral de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas e Contrabando de Migrantes do MJSP, Marina Bernardes, afirma que promessas de ganhos elevados com contratação imediata e intermediação informal devem ser vistas com desconfiança. “Nenhuma oportunidade séria exige retenção de passaporte ou participação em atividades ilícitas”, diz.
Como medida preventiva, o governo lançou a cartilha “Tráfico de Pessoas e Orientações para o Trabalho Exterior”, com informações sobre riscos, repatriação e canais de assistência consular. O material orienta brasileiros a verificar a existência formal das empresas, evitar envio de documentos sem checagem prévia e buscar orientação junto a embaixadas ou consulados antes de viajar.
Suspeitas podem ser denunciadas pelos canais Disque 100, Ligue 180, plataforma Comunica PF, além de Ministério Público, Defensoria Pública e autoridades policiais. Brasileiros no exterior que enfrentem situações de exploração devem procurar a representação diplomática mais próxima.