Impacto da guerra no Irã reflete na inflação brasileira

Conflito no Oriente Médio eleva preços de combustíveis e alimentos

Os efeitos da guerra no Oriente Médio já são sentidos no Brasil, especialmente no bolso do consumidor. Em março, a inflação, divulgada pelo IBGE, registrou uma aceleração para 0,88%, enquanto o índice acumulado em 12 meses alcançou 4,14%. A alta nos preços de combustíveis e alimentos foi um dos principais fatores para essa elevação, conforme esperado por economistas.

O grupo de Transportes apresentou uma variação significativa, mais que dobrando de fevereiro, com 0,74%, para março, com 1,64%. Tal aumento foi impulsionado principalmente pela alta dos combustíveis, que subiram 4,47%. A gasolina teve um acréscimo de 4,59%, enquanto o óleo diesel disparou 13,90%, refletindo o conflito no Irã que fez o preço do barril de petróleo subir mais de 60%.

No quesito alimentação, os preços também subiram consideravelmente, com um aumento de 1,94% no mês. Dentre os alimentos com as maiores altas estão o tomate, que subiu 20,31%, a cebola (17,25%), a batata-inglesa (12,17%), o leite longa vida (11,74%) e as carnes (1,73%). Em contrapartida, alguns itens registraram queda, como a maçã (-5,79%) e o café moído (-1,28%).

André Valério, economista sênior do Inter, destacou que a leitura de março foi amplamente impactada por fatores globais decorrentes do conflito no Irã, especialmente no setor de combustíveis. Ele acredita que, com o cessar-fogo de duas semanas, a possibilidade de que o choque do petróleo contamine o restante da inflação diminui.

Valério observa que, apesar de o cessar-fogo ter bases frágeis, há expectativa de que ele persista por ao menos duas semanas, considerando a posição dos Estados Unidos em relação ao conflito. Desde o anúncio do cessar-fogo, o preço do barril de petróleo tem se mantido abaixo de US$100.

Ele ainda menciona que, devido ao cenário atual e à falta de tranquilidade para o Comitê de Política Monetária (Copom), o Banco Central deve continuar o ciclo de cortes nas taxas de juros em ajustes de 0,25 pontos percentuais. O aperto monetário elevado, juntamente com o comportamento do câmbio, que tem operado abaixo de R$5,10, proporciona ao Copom a confiança necessária para manter o ritmo de cortes.

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