Ex-presidente do BRB usou fundos da Reag para ocultar propina

Investigação da PF aponta que Paulo Henrique Costa acompanhava as negociações

A Polícia Federal do Brasil apontou que o ex-presidente do Banco de Brasília, Paulo Henrique Costa, teria utilizado fundos geridos pela Reag Investimentos para ocultar o pagamento de propina relacionado a negociações com o empresário Daniel Vorcaro, do Banco Master.

Foto: Lúcio Bernardo Jr/Agência Brasília

Segundo as investigações, o esquema envolveria a aquisição de imóveis de alto padrão como forma de repasse de valores. Ao todo, seis propriedades — quatro em São Paulo e duas em Brasília — teriam sido destinadas ao ex-dirigente do banco. O montante total estimado chega a R$ 146 milhões, sendo R$ 74,6 milhões já efetivamente pagos.

De acordo com a apuração, os recursos teriam como objetivo garantir que o Banco de Brasília adquirisse carteiras de crédito consideradas irregulares ou inexistentes do Banco Master. A transferência dos imóveis teria sido interrompida em maio de 2025, após indícios de investigação pelo Ministério Público Federal.

A Polícia Federal sustenta que fundos de investimento e empresas de fachada foram utilizados para dar aparência de legalidade às operações e dificultar o rastreamento dos recursos. Essas empresas, classificadas como estruturas previamente constituídas, teriam sido adaptadas para intermediar as transações financeiras.

Ainda conforme a investigação, os valores saíam de fundos vinculados à Reag Investimentos, passavam por essas empresas e eram direcionados à compra dos imóveis. O processo buscava ocultar os beneficiários finais e a origem dos recursos.

Documentos analisados indicam que os imóveis faziam parte de um planejamento pessoal atribuído a Paulo Henrique Costa. A investigação afirma que ele acompanhava as negociações, visitava os bens e cobrava o andamento das aquisições.

A operação também envolve outros investigados, incluindo um advogado apontado como responsável pela estrutura jurídica do esquema e um administrador ligado às empresas utilizadas nas transações.

A defesa de Paulo Henrique Costa afirmou que ele não cometeu irregularidades e que confia no esclarecimento dos fatos. Já os representantes da Reag Investimentos não se manifestaram até o momento.

O caso integra a Operação Compliance Zero, que apura suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e irregularidades no sistema financeiro. As investigações seguem em andamento.

Leia também