Um em cada quatro nordestinos aposta em bets, aponta pesquisa

No cenário nacional, um terço dos brasileiros declarou hábito em apostas

A Genial/Quaest divulgou na sexta-feira (17) um levantamento mostrando que 29% dos brasileiros acima de dezesseis anos apostam dinheiro em plataformas esportivas pela internet. A pesquisa foi realizada entre 10 e 13 de abril de 2026, ouviu 2.004 pessoas em todo o território nacional, com margem de erro de dois pontos percentuais e nível de confiança de 95%.

No Nordeste, o índice é o menor do país, com 25% dos entrevistados afirmando ter o hábito de apostar em bets, enquanto a Região Sul concentra o maior percentual, com 37% de apostadores, seguida pelo Sudeste, com 29%. O dado chega em momento particular para Teresina, já que na última quarta-feira (15), o prefeito Silvio Mendes sancionou lei que proíbe a veiculação de publicidade, patrocínio e qualquer ação de marketing de apostas virtuais nos espaços públicos do município, incluindo escolas, unidades de saúde, terminais de transporte, praças, parques, ginásios e estádios.

Foto: Joédson Alves

O perfil dos apostadores brasileiros revela contrastes. Na comparação entre homens e mulheres, o levantamento aponta diferença significativa: 33% dos homens têm o hábito de apostar, contra 21% das mulheres. Em relação à faixa etária, tanto o grupo de 35 a 59 anos quanto o de 60 anos ou mais registram 30% de apostadores, enquanto entre os jovens de 16 a 34 anos o percentual é de 27%, embora apostas esportivas sejam legalmente permitidas apenas para maiores de 18 anos. No recorte por renda, os brasileiros que ganham entre dois e cinco salários mínimos apresentam o maior índice de apostadores, com 32% nessa faixa salarial, enquanto os que ganham até dois salários mínimos registram 24%.

A religião também aparece como fator relevante: entre os católicos, 34% afirmam ter o hábito de apostar, enquanto entre os evangélicos o percentual é de 23%. No recorte político, entre bolsonaristas, 33% declararam apostar em bets, o maior índice deste recorte, seguidos pelos eleitores independentes, com 31%, e pelos lulistas, com 26%.

A legislação recém aplicada em Teresina vai além da proibição de publicidade. A lei também veda que a Prefeitura celebre contratos de cessão de nome ou quaisquer parcerias com empresas que operam plataformas de apostas online, mesmo que autorizadas em âmbito federal, e proíbe o uso de marcas ou brasões municipais em campanhas de bets. A iniciativa local se antecipa ao debate federal: na última terça-feira (14), o líder da bancada do PT na Câmara, Pedro Uczai, protocolou projeto que propõe proibir em todo o país a exploração, oferta e promoção de apostas de quota fixa.

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