A disputa judicial envolvendo o show “AUREA – Alok e Convidados” ganhou um novo elemento que chamou atenção nos bastidores: a Kalor Produções protocolou um mandado de segurança em conjunto com o Estado do Piauí utilizando papel timbrado da Procuradoria-Geral do Estado (PGE).
O documento, direcionado ao desembargador plantonista do Tribunal de Justiça do Piauí, traz no cabeçalho oficial as marcas da PGE e do Governo do Estado. Na mesma peça, aparecem como requerentes tanto a Kalor LTDA quanto o próprio Estado do Piauí, evidenciando atuação conjunta no processo.
Na prática, isso indica que o governo estadual não atua apenas como parte indireta ou observador, mas como protagonista ao lado da empresa privada na tentativa de reverter decisões judiciais que suspenderam o evento e o repasse de cerca de R$ 1,8 milhão em recursos públicos.
A estratégia jurídica adotada reforça o alinhamento entre o interesse da produtora e o do governo, especialmente em um caso que já vinha sendo questionado por envolver gasto público elevado. A utilização do papel timbrado institucional, embora possível quando o Estado figura como parte, intensifica o debate sobre os limites dessa atuação conjunta.
O mandado de segurança ainda classifica a decisão judicial anterior como “teratológica” e pede liminar urgente, alegando que o evento ocorreria em menos de 12 horas — argumento que evidencia a tentativa de reverter o cenário em caráter emergencial.
O novo movimento ocorre após uma sequência de decisões do TJ-PI mantendo a suspensão do show, sob o entendimento de risco ao erário e necessidade de priorização do interesse público.
Com isso, o caso deixa de ser apenas uma disputa contratual ou administrativa e passa a expor, de forma mais clara, a atuação direta do Estado em defesa da realização de um evento privado financiado com recursos públicos — ponto que deve seguir no centro do debate jurídico e político nos próximos dias.