42% das brasileiras já apostaram em bets, aponta pesquisa

Estudo mostra maior rejeição entre mulheres e associa apostas a dívidas e conflitos

Quatro em cada dez mulheres brasileiras já fizeram apostas online ou continuam apostando, segundo pesquisa divulgada nesta segunda-feira (17). O levantamento também mostra que 67% das entrevistadas consideram que as bets estão contribuindo para a destruição de famílias, enquanto 62% defendem a proibição dos jogos online no país.

Foto: Reprodução
Pesquisa aponta percepção de impactos financeiros e familiares associados às apostas online.

O estudo “Mulheres & Bets: O impacto da epidemia de apostas online para as brasileiras e suas famílias” foi realizado pela Clarice, em parceria com a Estratégia Latina e o Ideia. No conjunto da população, 49% dos entrevistados disseram já ter utilizado plataformas de apostas.

A percepção dos efeitos negativos das bets é mais forte entre as mulheres. Entre elas, 67% afirmam que as apostas estão “acabando com as famílias brasileiras”, ante 59% dos homens.

A rejeição também aparece na defesa de medidas mais restritivas. A proibição dos jogos online é apoiada por 62% das mulheres, contra 50% dos homens.

Apostas e conflitos familiares

O levantamento aponta associação entre o avanço das apostas e problemas financeiros, familiares e de saúde mental. Os efeitos, segundo a pesquisa, são mais acentuados entre pessoas das classes D e E.

Outro dado chama atenção para os episódios de violência: 23% dos entrevistados afirmam conhecer ou ter presenciado algum caso em que as apostas contribuíram para situações de violência dentro de uma família.

A pesquisa também identificou apoio significativo a outras medidas de restrição. A proibição das casas de apostas tem o respaldo de 56% dos entrevistados.

Entre as propostas apresentadas, 45% apoiam o bloqueio do Pix para apostas realizadas por pessoas que recebem benefícios sociais. Outros 33% são favoráveis à criação de um canal anônimo de apoio. Entre os apostadores frequentes, esse percentual sobe para 57%.

Desconhecimento sobre mecanismos de proteção

Apesar da discussão sobre os impactos das apostas, cerca de 70% dos brasileiros entrevistados afirmam nunca ter ouvido falar do sistema de autoexclusão criado pelo governo federal para impedir o acesso às plataformas.

O desconhecimento é ainda maior entre mulheres das classes D e E, segundo o levantamento.

A pesquisa quantitativa ouviu 2.008 mulheres e homens de todo o país entre 8 e 9 de julho. A amostra foi distribuída de acordo com dados do Censo 2022 e da Pnad 2025, com margem de erro de dois pontos percentuais.

Na etapa qualitativa, realizada entre junho e agosto, foram ouvidas 60 pessoas, principalmente mulheres de 18 a 58 anos das classes C, D e E das regiões Sudeste e Nordeste.

Percepção atravessa posições políticas

A rejeição às apostas online aparece entre eleitores de diferentes grupos políticos. Segundo o levantamento, 62% dos eleitores de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e 56% dos eleitores de Flávio Bolsonaro (PL) apoiam o banimento das bets.

Para as responsáveis pela pesquisa, ouvir as mulheres é necessário para compreender os efeitos das apostas para além de quem utiliza diretamente as plataformas, considerando também os impactos sobre as famílias.

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