Servidores do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) iniciaram uma greve nesta segunda-feira (17), no Rio de Janeiro e na Bahia, em meio a uma crise entre a categoria e a direção do órgão, comandado por Marcio Pochmann.
Segundo o sindicato dos servidores, a paralisação não deve comprometer, neste primeiro momento, a divulgação dos principais indicadores socioeconômicos produzidos pelo instituto. Entre os dados estão informações sobre desemprego, inflação e Produto Interno Bruto (PIB).
A entidade afirma que a mobilização foi motivada por medidas adotadas pela direção do IBGE que, segundo os servidores, alteraram a remuneração dos agentes de coleta, o regime de trabalho dos funcionários aprovados no último Concurso Nacional Unificado e regras relacionadas à progressão na carreira.
A possibilidade de impacto sobre as pesquisas é uma das principais preocupações relacionadas à paralisação. O calendário oficial prevê, por exemplo, a divulgação da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua) mensal nos próximos dias, com dados sobre o mercado de trabalho referentes a julho.
De acordo com Clician Oliveira, diretora do Sindicato Nacional dos Servidores do IBGE, a categoria pretende preservar o calendário de divulgação dos indicadores. "Até o presente momento, não. Nós não temos esse indicativo. A gente sempre preservou muito o calendário de divulgação", afirmou.
O sindicato também critica a falta de diálogo com a presidência do instituto. Segundo a entidade, representantes dos trabalhadores não são recebidos por Pochmann há meses.
Outro ponto de conflito envolve uma portaria publicada em julho. Conforme o sindicato, a medida impediu que servidores recém-ingressados pelo último Concurso Nacional Unificado adotassem o regime híbrido de trabalho após o período de estágio probatório. A entidade afirma que a alteração contrariou as regras previstas no concurso e informou ter recorrido à Justiça.
A relação entre servidores e a direção do IBGE enfrenta problemas desde 2024. Naquele período, houve críticas à administração, saída de diretores e divergências em torno da Fundação IBGE+, iniciativa criada para captar recursos extraorçamentários destinados a projetos do instituto. A organização foi posteriormente extinta, em fevereiro deste ano.