O empresário Maurício Camisotti assinou um acordo de colaboração premiada com a Polícia Federal (PF) e a Procuradoria-Geral da República (PGR) no âmbito das investigações sobre fraudes em descontos associativos aplicados a aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Segundo informações obtidas pela CNN, a colaboração está na fase final de depoimentos. Camisotti já teria prestado pelo menos dez depoimentos aos investigadores e relatado detalhes sobre a estrutura do esquema e a participação de integrantes.
A PF aponta o empresário como um dos operadores financeiros das fraudes investigadas, que podem ter movimentado até R$ 6,5 bilhões ao longo de pelo menos seis anos. De acordo com as informações divulgadas, Camisotti teria apresentado aos investigadores detalhes sobre o funcionamento do esquema e sua estrutura.
Durante os depoimentos, o empresário também teria citado Antônio Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, como um dos responsáveis pela organização do esquema. Os dois foram presos no mesmo dia, em dezembro do ano passado, durante a Operação Sem Desconto.
A defesa de Antunes afirmou que desconhece as acusações atribuídas ao cliente.
Após o envio do acordo, caberá ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), analisar a colaboração e decidir sobre sua homologação. Somente após essa etapa poderão ser definidos eventuais benefícios previstos no acordo.
Camisotti permanece em uma carceragem da PF em São Paulo. Ele estava anteriormente em um presídio no interior do estado e foi transferido para ficar mais próximo da equipe responsável pelas investigações. Mendonça determinou a permanência do empresário na unidade da PF durante o andamento da colaboração.
Investigadores afirmam que as informações fornecidas pelo empresário contribuíram para o avanço do inquérito. Neste mês, a PF concluiu dois relatórios que resultaram no indiciamento de 54 pessoas apontadas como integrantes do chamado núcleo operacional.
Entre os indiciados estão Antônio Camilo Antunes, o ex-presidente do INSS Alessandro Stefanutto, o ex-ministro da Previdência José Carlos Oliveira, integrantes da antiga cúpula do instituto e dirigentes de associações de aposentados.
Camisotti, porém, não foi incluído na relação de pessoas indiciadas pela PF divulgada até o momento.
Durante a operação que resultou na prisão do empresário, os investigadores apreenderam mais de R$ 2 milhões em bens. Entre os itens estavam carros e motocicletas de luxo, esculturas, quadros e outras obras de arte.
Dados analisados pela CPMI do INSS também apontaram que três entidades investigadas teriam realizado repasses superiores a R$ 800 milhões relacionados ao esquema. Desse total, aproximadamente R$ 350 milhões teriam sido destinados diretamente a empresas ligadas a Camisotti.
A colaboração premiada ainda depende de homologação judicial para produzir os efeitos previstos no acordo.