O ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, avalia confessar crimes caso uma terceira tentativa de fechar um acordo de colaboração premiada não avance. A estratégia seria buscar uma redução de eventual condenação por meio da confissão, segundo relatos à CNN.
A delação continua sendo a primeira opção da defesa porque permitiria estabelecer previamente as obrigações de Vorcaro e os benefícios que ele receberia em troca das informações fornecidas às autoridades.
Após duas tentativas frustradas de acordo, porém, o ex-banqueiro e seus advogados estariam desanimados com a possibilidade de uma nova negociação. Segundo relatos, Vorcaro considera que as cúpulas da Polícia Federal e da Procuradoria-Geral da República não demonstram disposição para fechar um acordo.
Nesse cenário, a defesa avalia a possibilidade de uma confissão no decorrer das investigações ou do processo penal, que tramita sob relatoria do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal.
A medida seria menos vantajosa do que uma colaboração premiada, mas poderia permitir a aplicação de uma circunstância atenuante na definição da pena, caso Vorcaro seja condenado.
A interlocutores, o ex-banqueiro teria afirmado que, diante da situação atual, não teria “mais nada a perder”.
Mais de seis meses preso
Vorcaro está preso há mais de seis meses. O pai dele, Henrique Vorcaro, também está em prisão preventiva, há quase quatro meses.
Desde a liquidação do Banco Master, em novembro do ano passado, o ex-banqueiro afirma estar enfrentando uma situação extrema. Ele voltou a relatar as dificuldades durante depoimento à Polícia Federal realizado na última sexta-feira (28).
“Eu tenho passado um terror, passado por algo desumano, mas ainda tenho esperança e confiança que a verdade ainda vai aparecer”, afirmou Vorcaro aos investigadores. O vídeo da oitiva foi obtido pela CNN.
Durante o depoimento, ele também detalhou a situação financeira do Banco Master e afirmou que vinha buscando alternativas para resolver os problemas da instituição. Segundo seu relato, teria apresentado diferentes soluções antes de ser surpreendido pelos desdobramentos do caso.
A eventual confissão, portanto, aparece como uma alternativa à colaboração premiada e dependerá da evolução das investigações e das tratativas entre a defesa e as autoridades responsáveis pelo caso.