El Niño forte ameaça safra e acende alerta para o agronegócio brasileiro

Fenômeno pode afetar soja, milho, café e laranja durante o plantio da safra 2026/27

A possibilidade de um novo episódio de El Niño de forte intensidade entre setembro e novembro preocupa o setor agropecuário brasileiro. Especialistas alertam que o fenômeno climático pode comprometer o plantio da safra 2026/27, afetando principalmente as culturas de soja, milho, café e laranja em diferentes regiões do país.

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Possível El Niño forte pode afetar o desempenho das principais culturas agrícolas do Brasil.

Modelos climáticos internacionais indicam elevada probabilidade de que o aquecimento das águas do Oceano Pacífico evolua para um El Niño classificado como "muito forte" nos próximos meses. A intensidade definitiva do fenômeno, no entanto, ainda depende de novas medições previstas para o fim de julho.

O alerta foi apresentado por pesquisadores da Fundação Getulio Vargas (FGV Agro), que destacam riscos para o período entre setembro e novembro, fase considerada decisiva para o plantio das principais culturas de verão.

Segundo os especialistas, o Centro-Oeste e parte da Região Norte podem enfrentar temperaturas acima da média e chuvas irregulares, cenário que tende a reduzir a produtividade de soja e milho. No Sudeste, culturas perenes, como café e laranja, também estão entre as mais vulneráveis, especialmente durante a florada, quando o calor excessivo e a falta de água podem comprometer a formação dos frutos.

Na Região Sul, o impacto esperado é diferente. A previsão é de aumento no volume de chuvas, condição que também pode prejudicar o desenvolvimento das lavouras e provocar perdas de produtividade.

Estudos apresentados durante o encontro apontam que episódios intensos de El Niño já provocaram redução de até 10% na produção agrícola nacional em eventos recentes, segundo dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

Outro fator de preocupação é o risco de replantio da soja. Caso as chuvas ocorram de forma insuficiente ou concentrada no início da semeadura, produtores poderão ser obrigados a repetir parte do plantio, elevando os custos da safra e atrasando o calendário agrícola. Esse atraso também pode comprometer a janela ideal para o cultivo do milho de segunda safra.

Apesar do cenário de atenção, pesquisadores ressaltam que os impactos tendem a variar conforme as condições climáticas de cada região, já que o território brasileiro apresenta diferentes padrões de chuva e temperatura.

Entre as medidas apontadas para reduzir os prejuízos estão a ampliação do seguro rural e o incentivo a práticas da agricultura de baixo carbono previstas no Plano ABC. Segundo os especialistas, propriedades que adotam técnicas conservacionistas costumam registrar perdas menores durante eventos climáticos extremos, aumentando a capacidade de adaptação da produção agrícola.

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