O Ministério Público de São Paulo (MPSP) denunciou três funcionários da Empresa Municipal de Processamento de Dados (Empro), de São José do Rio Preto, por participação em um ataque cibernético que comprometeu serviços públicos da cidade em junho de 2025. Os acusados responderão por associação criminosa, invasão de dispositivo informático e inserção de dados falsos em sistema de informações.
De acordo com a denúncia, os servidores teriam utilizado o acesso privilegiado aos sistemas da empresa para manipular dados e promover alterações em plataformas municipais com o objetivo de obter vantagens indevidas. As investigações apontam que o grupo se valeu do conhecimento técnico e do acesso a informações sensíveis para favorecer empresas registradas em nome de suas esposas.
O ataque ocorreu em 5 de junho de 2025 e provocou a interrupção de diversos serviços públicos. Entre os impactos registrados estiveram a indisponibilidade da linha telefônica do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), a necessidade de realização manual de atendimentos, além de lentidão em exames médicos e formação de filas em unidades de saúde. Bancos de dados municipais também ficaram temporariamente fora do ar.
Segundo o Ministério Público, os investigados criaram uma estrutura paralela para explorar recursos públicos e, posteriormente, promoveram um ataque interno destinado a simular uma invasão realizada por hackers externos. Durante a ação, milhares de computadores e servidores da Empro foram criptografados, comprometendo a infraestrutura tecnológica do município.
As apurações também identificaram supostas tentativas de destruição de provas e ocultação de rastros digitais após o início das investigações. Para a promotora Ana Carolina Macri Morais, o caso ganhou maior gravidade em razão dos prejuízos causados à administração pública e à população.
Na denúncia, o Ministério Público destacou que a invasão resultou na obtenção de dados sigilosos, além da adulteração e destruição de informações armazenadas nos sistemas municipais, causando prejuízos de grande dimensão ao erário e à prestação de serviços essenciais.
Além da responsabilização criminal dos acusados, o MPSP solicitou à Justiça o bloqueio de bens, veículos e ativos financeiros dos envolvidos e das empresas investigadas. O órgão também pediu a fixação de um valor mínimo para ressarcimento dos danos causados aos cofres públicos.