PF investiga esquema criminoso que financiava campanha eleitoral no MA

Investigações intensificaram 15 candidatos beneficiados

A Polícia Federal deflagrou nesta quarta-feira (10) a Operação Fundo Oculto para investigar duas organizações criminosas suspeitas de desviar recursos públicos e financiar ilegalmente campanhas eleitorais durante as eleições municipais de 2024 no Maranhão.

Foto: Paulo Pinto/ Agência Brasil

Segundo as investigações, os grupos utilizavam empresas contratadas por prefeituras maranhenses para movimentar recursos que, posteriormente, eram destinados a repasses ilícitos. A operação aponta que o esquema contava com o apoio de um funcionário de uma instituição bancária em São Luís, que teria auxiliado nas transações financeiras investigadas.

De acordo com a Polícia Federal, a movimentação financeira apresentou comportamento atípico, especialmente nas semanas que antecederam o período eleitoral. Os valores identificados nas apurações somam quase R$ 10 milhões. Em um dos núcleos investigados, aproximadamente R$ 2 milhões teriam sido utilizados para repasses considerados irregulares.

As investigações também apontam o uso de pessoas interpostas, conhecidas como laranjas, para ocultar a origem dos recursos. Conforme a PF, o dinheiro era retirado das contas das empresas envolvidas e transferido para contas de terceiros. Durante a apuração, foram localizadas planilhas de controle financeiro paralelo e documentos que faziam referência à distribuição de valores e ao monitoramento da presença policial nas proximidades da agência bancária utilizada pelo grupo.

Até o momento, a Polícia Federal identificou 15 candidatos que teriam sido beneficiados pelo esquema ou que receberam recursos sob investigação. Os repasses, segundo os investigadores, também eram distribuídos entre servidores.

A operação foi autorizada pelo Tribunal Regional Eleitoral do Maranhão e resultou no cumprimento de 25 mandados de busca e apreensão. A Justiça também determinou a quebra dos sigilos bancário e fiscal dos investigados, o afastamento de um servidor público e o bloqueio de bens avaliados em R$ 4 milhões.

Os envolvidos poderão responder por crimes como falsidade ideológica eleitoral, lavagem de dinheiro, organização criminosa, corrupção ativa e passiva, desvio de recursos públicos e outros delitos contra a administração pública.

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