Um registro manuscrito em livro de ocorrências embasa a investigação da Polícia Federal sobre a liberação de bagagens sem raio-X em um voo que transportava autoridades e um empresário.
A Polícia Federal investiga a entrada no Brasil de malas sem fiscalização após a identificação de um bilhete escrito à mão no livro de ocorrências do Aeroporto Catarina, em São Roque (SP). O documento aponta que bagagens teriam sido liberadas sem inspeção no desembarque de um voo realizado em abril de 2025.
O registro foi feito por um agente de proteção da aviação civil (APAC), responsável por relatar irregularidades, e menciona a atuação de um auditor fiscal da Receita Federal na liberação das bagagens.
Entre os passageiros estavam o presidente da Câmara, Hugo Motta, o senador Ciro Nogueira, além de outros parlamentares e do empresário dono da aeronave, ligado ao setor de apostas online.
Segundo o relato, malas e bolsas de mão — inclusive com itens eletrônicos — teriam sido autorizadas a passar sem verificação por raio-X. O texto também indica que bagagens de tripulantes foram liberadas fora do procedimento padrão.
A aeronave partiu da ilha de São Martinho, considerada paraíso fiscal pela Receita Federal. A lista oficial de passageiros confirma a presença das autoridades no voo.
A investigação busca esclarecer se o caso foi isolado ou se aponta para um padrão de falhas. A PF apura possíveis crimes de prevaricação e facilitação de contrabando.
Diante da presença de autoridades com foro privilegiado, o caso foi encaminhado ao Supremo Tribunal Federal. O ministro Alexandre de Moraes determinou manifestação da Procuradoria-Geral da República.
Em nota, Hugo Motta afirmou que seguiu os protocolos legais no desembarque. Ciro Nogueira não comentou o caso até a última atualização. O piloto disse não se recordar do episódio e declarou que segue procedimentos padrão. O auditor citado não respondeu.